P

Par Mais Proficiente

O interlocutor de um aprendiz cujo desenvolvimento de interlíngua se beneficia do seu nível mais alto de proficiência nas interações oportunizadas nas salas e suas extensões.

V. tb.: Interlíngua, Nível Final de Aquisição Obtido, Interação,Interacionismo.

Paradigma

Macro-modelo teórico composto por concepções e relações entre seus elementos constitutivos que orientam uma certa maneira de ver o que e como pesquisar numa dada época mantida pelos praticantes dessa ciência numa comunidade científica. Abordagens são instanciações de um paradigma maior que atinge um conjunto de ciências de um grande ramo científico. O paradigma comunicacional das ciências humanas permite a tradução desses ideais na abordagem comunicativa para o ensino de línguas.

V. tb.: Abordagem, Abordagem Comunicativa, Modelo.

Paralinguagem

Sistema de comunicação não verbal por meio de expressões faciais, distância corporal entre interlocutores e gestos que complementa o fluxo comunicador verbal discursivo.

V. tb.: Linguagem

Percepção Consciente e Atenta da Forma

Hipótese segundo a qual o aprendente precisa prestar atenção consciente no insumo recebido ou gerado na língua-alvo com o objetivo de que possa ocorrer aquisição. Esta hipótese estabelece que o adquiridor deve notar os aspectos linguísticos da L2, como os sintáticos e fonológicos, dentre outros, e buscar organizá-los mentalmente para construir ou modificar padrões na língua-alvo que levem à aquisição de uma L2. O mesmo que  Registro Cognitivo.

V. tb.: Abordagem Gramatical, Abordagem Comunicativa, Aquisição de Segunda língua.

Perda Gradual de Língua

Processo de embotamento ou apagamento da competência comunicativa numa língua adquirida ou aprendida da memória de trabalho.

V. tb.: Processo adquiridor, Memória de Trabalho, Aquisição.

Pergunta de Pesquisa

Indagação sobre aspectos específicos de um tópico pesquisado colocada no início de uma investigação com o propósito de dirigir a análise a pontos ou perspectivas específicos emprestando nitidez ao estudo.

V. tb.: Pesquisa, Pesquisa Aplicada, Metodologia de Pesquisa.

Período Silencioso

Refere-se ao estágio em que o aprendente está ativamente em contato com a língua-alvo sem iniciativas de produção e subconscientemente submerso trabalhando no cálculo, na análise do significado e nas formas de uso da nova língua. Nesse processo o aprendiz vai repassar as formas e interagir mentalmente para assegurar-se da propriedade do uso da língua visando a diminuição de erros gramaticais e vocabulares antes da produção em tempo oral.

V. tb.: Interlíngua, Fluência, Percepção, Atenção.

Pertencimento

Sentimento ou sensação de pertenca, de ser parte de uma dada cultura que se reflete na identidade sociocultural do aprendente de uma língua-alvo. Sentimento nutrido pelo aprendente ao ver-se como parte integrante do sistema cultural da língua-alvo ou de parte dele ao longo do processo adquiridor.

V. tb.: Estrangeirização, Desestrangeirização, Filtro Afetivo, Diferenças Individuais.

Pesquisa

Esforço organizado de investigação científica que se conclui com resultados que fortalecem o conhecimento acadêmico sobre uma determinada área.

V. tb.: Pressuposto, Pesquisa Aplicada, Pesquisa Qualitativa.

Pesquisa Aplicada

Investigação de fenômenos de superfície colocados na prática social no grau de complexidade em que são observados.

V. tb.: Pesquisa, Pesquisa Básica

Pesquisa Básica

Tipo de pesquisa voltada para o desenvolvimento de teoria científica sem que necessariamente esteja justificada por questões de ordem prática tecnológica ou aplicada.

V. tb.: Pesquisa Aplicada

Pesquisa de Intervenção

Tipo de pesquisa em que se interfere na situação de pesquisa de modo explícito buscando o conhecimento que surge exatamente da intervenção operada.

V. tb.: Pesquisa, Pesquisa Aplicada.

Pesquisa Experimental

Esforço investigativo de tipo quantitativo estatístico conduzido sob regras e condições estritos apoiados numa estrutura que contrasta os resultados de um grupo experimental que recebe tratamento específico com os de um grupo de controle sem tratamento.

V. tb.: Pesquisa básica, Pesquisa Quantitativa.

Pesquisa Qualitativa

Pesquisa que interpreta resultados de modo subjetivo controlado sem removê-los de sua complexa contextualidade.

V. tb.: Pesquisa quantitativa.

Pesquisa Quantitativa

Investigação positiva com estrita observância do isolamento do fenômeno posto em estudo e que avalia resultados na forma de quocientes numéricos como projeções generalizadoras.

V. tb.: Pesquisa qualitativa.

Pidgin

Uma língua simplificada surgida da interação ou contato imediato entre duas ou mais comunidades linguísticas que entram em contato e não se compreendem. Pidgins possuem gramática reduzida em relação às línguas de onde provêm. Neles, por exemplo, é quase total a ausência de morfologia derivacional e flexional e as funções sintáticas soem indicar-se exclusivamente pela ordem dos termos. A eventual evolução dos pidgins pode dar lugar a línguas crioulas ou simplesmente crioulos. Metaforicamente, o termo pidgin pode indicar uma interlíngua incipiente que busca nos parcos recursos alguma forma de comunicação numa língua que esteja sendo aprendida.

V. tb.: Crioulo, Interlíngua.

Planejamento de Cursos de Línguas

Fase inicial das materialidades do ensino de línguas que se estende por três outras concretizações distintivas do fazer dos professores. Trata-se de levantar objetivos, reconhecer direitos e deveres dos aprendizes e premeditar as unidades contendo conteúdos de ensino, processo de vivências e momentos de reflexão formadora.

V. tb.: Materialidades do Ensino, Modelo OGEL.

PLE

Sigla indicadora da área de ensino e pesquisa em Português como Língua Estrangeira. Às vezes aparece como EPLE para significar Ensino de Português Língua Estrangeira. A sigla PLE está contida em outra, a SIPLE (Sociedade Internacional para o Português Língua Estrangeira), orientada para as questões profissionais num amplo espectro de interesses relacionados com o ensino e aprendizagem da língua portuguesa na perspectiva de um idioma não-materno posto para o aprendizado e para o seu ensino sistemático.

V. tb.: Ensino de Línguas (Segundas e Estrangeiras).

Política de Ensino de Línguas

Planejamento e plano contendo os direitos de aprendizagem, as justificativas educacionais, culturais e psicológicas, linguísticas e práticas do ensino e da oferta de idiomas nos currículos escolares, universitários e formativos de professores de línguas, além da definição de critérios, de quais e quantas línguas ensinar no sistema escolar, de quando e como ensiná-las ao longo da sucessão de níveis, além do modo de avaliação do desempenho adquirido.

V. tb.: LE, Política linguística, Fatores condicionantes da formação.

Política Linguística

Conjunto de decisões tomadas explicitamente como modo organizado e sistemático de ajustar o status de línguas numa dada região ou país.

V. tb.: Políticas de Ensino de Línguas.

Portfolio

Um sistema processual de registro da produção avaliada dos estudantes aprendizes de línguas. Podemos dividir o portefólio em três partes: um "passaporte de línguas" (numa pequena tabela anotamos nossas línguas e as habilidades nelas reconhecidas por meio de relatórios, exames e certificados), um dossiê (material complementar e trabalhos de aula e de casa) e uma biografia linguística (reflexões motivadas pelos trabalhos produzidos). Pode-se, ainda, adaptar este portefólio para uso do professor: um passaporte de objetivos, um dossiê de material de ensino com instruções e uma biografia de ensino na qual gravaremos as reflexões que as atividades suscitam.

V. tb.: Reflexão, Visionamento.

Potencial Gerador de Insumo

Capacidade inferida de uma avaliação de materialidade do ensino quanto à produção de interação linguageira que se reconhece como insumo ótimo para aumentar as chances de aquisição de uma língua.

V. tb.: Insumo, Insumo Ótimo.

Práticas de Sala de Aula

Conduta do professor ou professora na sala de aula de língua(s) no trabalho de propor atividades e organizar experiências.

V. tb.: Atividades.

Praticidade

Critério para análise de atividades em livros didáticos e em aulas que indaga se o item é prático de se construir e de aplicar. Prático significa que a atividade prevista exige relativamente pouco tempo e poucos recursos em relação à implementação do procedimento ou atividade.

V. tb.: Comunicação, Forma Linguística.

Práxis

União refletida da teoria com a prática. É o processo em que a teoria é refletidamente praticada fazendo parte da experiência vivida ou em que a prática se revela possuidora de conhecimentos importantes e de cultura revelados por uma reflexão conscientizadora que emancipa os sujeitos na trajetória.

V. tb.: Reflexão, Reflexividade, Competência Teórica, Competência Aplicada.

Precisão

Qualidade do insumo, geralmente produzido, requerida mediante conhecimento de regras e da sua aplicação na interlíngua gramaticalmente cada vez mais correta dos aprendentes.

V. tb.: Adequação, Interlíngua, Exercício, Nível Final de Aquisição Atingido.

Pressuposto

Alguma hipótese ou suposição levantada, geralmente a partir de crenças detectadas sobre o ensino ou aprendizagem de línguas, com o intuito de ser fortalecida cientificamente através de pesquisa, geralmente de natureza aplicada. Os pressupostos são tidos, a priori, como verdadeiros, no entanto, são conhecimentos informais submetidos à validação teórico-científica, posteriormente. Para a aquisição e o ensino de línguas, o termo pode ser colocado numa posição intermediária entre crenças e princípios. Dito de outro modo, pressuposto é conhecimento informal verbalizado e posto à pesquisa, ou seja, posto à observação e análise de forma a viabilizá-lo como conhecimento científico e teoria com T maiúsculo.

V. tb.: Crenças, Intuição, Competência Implícita, Princípios, Paradigma, Abordagem, Modelo.

Princípio

Estabilização de um pressuposto após ser analisado e reanalisado sob vários ângulos de modo que sua 'verdade' não seja mais objeto de disputa ou dúvida; uma verdade teórica previsível, um axioma que não mais precisa ser provado.

V. tb.: Teoria com ‘T’ Maiúsculo, Teoria com ‘T’ Minúsculo.

Procedimentos de Observação

Técnicas ou modos específicos de operar a observação dos processos de aprender e adquirir ou ensinar línguas e de formação de professores ou outros agentes. Exemplos de procedimentos são: notas mentais, registros escritos de aulas, depoimentos, registros em diários, fotos, gravações em vídeo e áudio, desenhos e transcrições.

V. tb.: Observação, Registros de Observação, Recursos para Observação.

Processamento de Insumo

Reconhecimento e metabolização do insumo (linguístico e paralinguístico) transformando-o em conhecimento (monitorado) sobre a língua ou em competência comunicativa adquirida. Essa decodificação com absorção requer a mobilização dos fatores internos tais como motivações e demais afetividades além de atitude e experiência prévia, entre outros. Processar o insumo equivale a transformá-lo do estado bruto em capacidade produtiva de sentenças gramaticais e/ou de comunicação.

V. tb.: Competência Comunicativa, Motivação, Atitude, Afetividade, Exposição a uma Nova Língua, Insumo, I + 1, Aquisição de Língua, Contexto de Aquisição, Envolvimento do Aluno Adquirente, Aula, Imersão, Insumo Absorvido.

Processo Adquiridor

Engajamento de processos cognitivos e afetivos para a aquisição de uma segunda língua ou língua estrangeira.

V. tb.: Aquisição de Segunda Língua.

Processo de Ensino e Aprendizagem de Línguas

Movimentos ou ações distintos em sequência e possivelmente interconectados que de um lado produzem uma instrução de apoio relevante e de outro buscam concretizar uma aquisição ou aprendizagem da língua-alvo.

V. tb.: Aquisição de Segunda Língua, Expansão de Repertórios de L1.

Professor Des-Envolvido

Diz-se do professor que teve a chance de desnaturalizar o seu ensinar realizado num presente contínuo de fazer e fazer, de "dar aulas" (envolvido num ensinar e ensinar) e que já é capaz de produzir um "afastamento estratégico" dessa produção para poder refletir sobre ela ganhando consciência desse ensinar agora aberto à avaliação e interpretação.

V. tb.: Ensinar Naturalizado, Reflexão.

Professor Prático

Pessoa em posição de instruir aprendizes de línguas que se formou em bases informais para exercer esse ofício.

V. tb.: Professor Profissional.

Professor Profissional

Pessoa que viveu um processo formal e sistemático de formação pré-serviço com certificação ao final muito além do informal prático tácito oportunizado pela tradição.

V. tb.: Professor Prático.

Professor(a) de Língua

Agente importante da construção da instrução profissional de uma língua mediante a apresentação e criação de insumos relevantes e/ou interessantes na interação com os aprendentes. O professor de língua é o agente condutor e guia, que deve ser capaz de orientar, incentivar, repassar conhecimentos em linguagem modificada, se necessário, para que haja compreensão da língua estrangeira. Para exercer essa função, é crescentemente esperada uma qualificação inicial (certificação profissional) após formação acadêmica geral e pedagógica própria.  O ensino de língua deve ser encarado como um processo submetido a constante (auto-)reflexão, fazendo com que o próprio aprendiz tenha e faça a sua (auto-)análise e possa se superar como aprendiz. O trabalho do professor não pode prescindir da constante experimentação (cuidadosa, criteriosa e gradual) reconhecedora dos interesses, necessidades e até fantasias dos alunos, permanecendo o profissional atento às novas mudanças da sociedade e tecnológicas assimiladas no trabalho ou em cursos de formação continuada em serviço.

V. tb.: Aprendente, Ensinante, Professor profissional, Professor prático, Agentes Primeiros e Segundos.

Professorês

Linguagem modificada da professora ou do professor de línguas visando a facilitação da compreensão de conteúdos tratados em aula ou em textos escritos dirigidos aos aprendentes.

V. tb.: Fala modificada do professor, Insumo, Aquisição de L2.

Proficiência

Capacidade de reconhecimento do funcionamento e projeção de capacidade de uso de um idioma que o falante evidencia em exames e, às vezes, ao agir e interagir na língua-alvo, demonstrando haver um certo nível de probabilidade de o examinando ser bem sucedido em suas interações sociais, de trabalho e na solução de problemas na língua em questão.

V. tb.: Fluência, Competência Comunicativa, Sub-Subcompetência Comunicativa Estratégica, Avaliação de Proficiência.

Projeto

Tipo de atividade longa, geralmente com uma equipe trabalhando num tópico ou tema durante semanas ou meses, motivada pela realização de uma idéia fundada conhecimento já disponível, amparada em dados ou ideias que o grupo levanta e discute antes de fazer propostas para a prática.

V. tb.: Atividade, Tarefa, Aquisição de Segunda Língua, Envolvimento do Aluno Adquirente.

Protagonismo

Capacidade de pensar encaminhamentos para questões pessoais e do grupo com originalidade e liderança fora da sala de aula na qual há geralmente pouco espaço para protagonismo.

V. tb.: Dependência.