I

I+1

Na sala de aula, ou nas extensões, é a qualidade do insumo compreensível correspondente a um nível levemente acima do corrente de compreensão (i) dos aprendizes. Para ajudar na produção de I+1, os professores almejam a produção de calibramento grosso ao trazer para a sala ou ao produzir insumo colaboirativamente na interação com os aprendizes.

V. tb.: Insumo, Insumo Implícito, Insumo Absorvido, Insumo Descartado, Insumo Exato, Insumo Natural, Insumo Ótimo, Insumo Produzido, Insumo Trazido.

Identificação Cultural

Capacidade de refletir sobre a própria cultura e sobre a cultura do outro buscando convergência no trânsito entre uma e outra. Capacidade de criar significados com e na cultura do outro que se torna um fator importante na aquisição de uma nova língua. Capacidade de integração com a identidade cultural do outro que depende do valor atribuído a sua cultura, à outra cultura e à forma como se considera apto a ter êxito na outra cultura.

V. tb.: Interculturação, Atitude, Interação, Filtro Afetivo.

Imersão

Situação de aquisição de uma segunda língua ou estrangeira na qual o aprendiz convive com falantes fluentes da língua-alvo exclusiva ou majoritariamente nesta língua em comunicação. Se houver arranjo de ensino em sala de aula, diz-se que a aprendizagem em imersão consiste em estudar num ambiente em que somente a língua-alvo é utilizada para comunicação entre os participantes.

V. tb.: Língua-Alvo, Aquisição, Insumo.

Implicitação

Ação de direcionar o ensino para a aquisição sem evidenciar explicitamentos dos focos, mas aludindo a eles de algum modo subliminar.  Professores usam recursos de implicitação tais como leve alteração da voz, repetições puras, repetições com leves alterações da forma para induzir sentido, refraseamentos, escrita de palavras ou expressões no quadro, desenhos, gestos focais, entre outros.

V. tb.:  Explicitação, Forma, Sentido, Uso Comunicativo.

Instrução

Intervenção profissional sistemática do professor em que ocorre uso propositado e modificado da língua-alvo, explicitação de conteúdo, orientação e instruções para realização de atividades com o propósito de facilitar o aprender ou adquirir de uma nova língua.

V.tb.: Atividade, Exercício, Tarefa.

Insumo

Toda manifestação de linguagem na língua-alvo que pode, eventualmente, se tornar competência comunicativa na interlíngua. O insumo tem de ser recebido por um filtro afetivo favorável para que tenha chance de se converter em competência adquirida. Não deve ainda ser gramaticalmente sequenciado e precisa ser de interesse ou relevante ao aprendente. O insumo pode ser produzido entre os participantes ou trazido pronto para a sala de aula.

V. tb.: Filtro Afetivo, Relevância, Interesse, Língua-Alvo, Aquisição de Língua, Competência Comunicativa.

Insumo + 1

Insumo ótimo um pouco acima da capacidade de compreensão da nova língua por parte do adquiridor num dado momento, fortalecendo a expectativa de que ocorra assim aquisição da L-alvo. A fórmula utilizada para representar essa hipótese da teoria de ASL (Aquisição de Segunda Língua) é o I+1. Para que ocorra progressão na aquisição de uma língua do estágio I (no qual I representa a competência corrente do aprendente) para I+1 (o próximo nível), é necessária a condição de que o aprendente compreenda parte do insumo ofertado, ou seja, que apenas uma pequena porção desse insumo esteja acima de sua atual capacidade de entendimento da língua-alvo. A resolução dessa "dificuldade" parcial se dá, frequentemente, com o auxílio do contexto ou de informações extralinguísticas.

V. tb.: Aquisição, Abordagem Comunicativa, Insumo, Insumo Absorvido, Insumo Descartado, Insumo Exato, Insumo Natural, Insumo Ótimo, Insumo Produzido, Insumo Trazido.

Insumo Absorvido

Aquele que produziu sentido ou compreensão para o aluno aprendiz e que foi adquirido como parte da competência comunicativa na nova língua.

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Compreensível

Amostras de linguagem cujo sentido já pode ser entendido na língua-alvo que são trazidas ou criadas com e pelos estudantes.

V.tb.: Insumo,I+1.

Insumo Descartado

Amostra da nova língua em uso muito acima do nível de compreensão do aprendiz e mesmo do I+1. Insumo que não consegue produzir o efeito desejado de aquisição; equivalente a mero "barulho" ou a "falar Grego".

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Exato

Insumo finamente calibrado; aquele compreendido integralmente sem espaços para dúvidas ou perguntas por parte do aprendente que estimulem o processo de aquisição.

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Implícito

É o insumo na forma de amostras da língua-alvo destinado a ser processado implicitamente, ou seja, sem atenção à forma, e voltado apenas ao significado, ao valor de verdade veiculado podendo resultar em competência comunicativa adquirida.

V. tb.: Insumo, Insumo +1, Insumo Absorvido, Insumo Descartado, Insumo Exato, Insumo Natural, Insumo Ótimo, Insumo Produzido, Insumo Trazido

Insumo Natural

Linguagem natural ou autêntica das amostras de língua trazidas ou produzidas com os aprendizes que contrastam com insumo simulador de linguagem real apresentado como prática ou exercitação do sistema da língua, não importando o valor de verdade que possam veicular.

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Ótimo

Linguagem trazida ou produzida na língua-alvo grossamente calibrada de modo a ser compreendida mas, às vezes, estando um pouco acima do nível de compreensão dos aprendentes. Diz-se daquele insumo que não é compreendido totalmente por estar um pouco acima do nível de compreensão dos aprendizes num dado momento.

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Produzido

O que se constrói na interação entre professores e alunos ou entre alunos numa dada situação de ensino e aprendizagem de língua(s).

V. tb.: Insumo, Interação, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Insumo Trazido

Tipo de insumo pronto introduzido numa situação de ensino e aprendizagem de língua; pode ser um texto, uma gravação, um segmento de filme ou programa de TV, um artigo de jornal na língua-alvo, por exemplo. É portado pela professora ou por alunos até a sala de aula ou suas extensões com o intuito de fazer circular amostras da língua-alvo para desenvolver competência comunicativa.

V. tb.: Insumo, Língua-Alvo, Aquisição de Língua.

Interação

Troca linguageira construída entre o falantes/escreventes e o ouvintes/leitores de uma determinada língua ou línguas. Essa troca é basicamente comunicacional e nela estão inseridos, entre outros, os acessos à cultura produzida por ela e nela contida.

V. tb.: Insumo, Competência Comunicativa.

Interação para Aquisição

Ação comunicativa entre participantes do processo de aprendizagem de uma nova língua frequentemente ocorrendo numa pequena comunidade de aprendizes de uma turma de aprendizes de língua. Essa ação com veracidade social comumente implica o aproveitamento de oportunidades de compreensão e expressão de significados pessoais na interlocução, de ações partilhadas nas quais haja co-construção de conhecimento ou resolução de tarefas e problemas. Ações comunicacionais autênticas ocorrendo entre professores e alunos que não fazem papéis simulados de outras pessoas em outros lugares, mas sim os seus próprios de construtores de significados e de produtores de conhecimentos, num processo discursivo de negociações. Processo de ação recíproca e convergente de estabelecimento de pontos aceitos entre si, de eventuais acomodações de divergências e mostra identitária em que o desencadear de linguagem na nova língua colabora para que ocorra aquisição.

V. tb.: Competência Comunicativa, Interação, Aquisição de Língua.

Interação Propositada

Tipo de interação promovida com os aprendentes de uma língua que faz sentido por focalizar valores de verdade parecidos com o que ocorre na vida real quando a língua é praticada para fins sociais comunicativos.

V.tb.: Interação para aquisição.

Interação Verbal

Trocas linguageiras realizadas na sala de aula de língua ou nas suas extensões mediante uso da língua oral e/ou escrita entre dois ou mais falantes de uma determinada língua ou línguas. Ação comunicacional reconhecida em padrões na qual os falantes trocam informações, constroem sentidos na conversação ou correspondência, apresentam-se, negociam significados e argumentos até um ponto de satisfação ou possibilidade comunicativa máxima entre os interagentes.

V. tb.: Discurso da sala de aula, Comunicação, Competência Comunicativa.

Intercultura

Condição de reconhecimento (no mínimo tolerância, mas idealmente respeito e busca de convergência) da cultura do outro, do direito à diversidade e da luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social das culturas em contato, além da promoção de relações dialógicas entre grupos culturais distintos. Oprefixo “inter” do termo indica processo de contato entre culturas que supõe um movimento de aproximação e trânsito numa e noutra direção e não somente um fenômeno de contato pontual, unilateral e aditivo ou incremental.

V. tb.: Cultura, Sociedade, Interação, Interlíngua.

Interculturação

Processo de entrada e manutenção de contato entre línguas e culturas em situações de ensino e aprendizagem de línguas gerador de modificações tanto na cultura de saída como na cultura de chegada, processo esse presidido por atitudes de respeito, tolerância e até integração.

V. tb.: Atitude, Filtro Afetivo, Identificação Cultural

Interesse

Estado volitivo de aproximação ou de abertura do aprendiz de língua àquilo que lhe desperta a atenção, vontade de conhecer e de engajar-se. O conceito pode acoplar-se ao de (percepção de) relevância e impulsionar o aprendiz de língua a se envolver em uso situado da língua-alvo, recebendo e produzindo assim insumo ótimo, culminando o processo em maior chance de aquisição duradoura e criadora de uma língua-alvo.

V. tb.: Envolvimento do Aluno Adquiridor, Insumo Ótimo, Aquisição, Relevância.

Interface

A parte ou ponto em que um corpo, meio ou sistema toca, interage ou se relaciona com outro. No âmbito da AELin e da ASL, refere-se ou à intensidade com que ocorre a relação entre ensinar explicitamente uma nova língua ou sua gramática e uma aquisição bem sucedida desse idioma. Interface fraca indica aquisição pouco relacionável com um ensino explícito produzido. Interface forte revela que muito do ensino explícito (gramatical, invariavelmente) se converteu em aquisição da língua-alvo. Não-interface, por sua vez, implicaria que ensino explícito (da forma, usualmente) não se converteu ou não se converte em aquisição.

V. tb.: Abordagem, Análise de Abordagem, Abordagem Comunicativa, Abordagem Gramatical.

Interlíngua

Denomina-se assim a língua emergente imperfeita, sui gêneris, gerada num entrelugar aberto no vão entre a língua materna do aprendiz e a língua-alvo na aquisição de outro idioma.

V. tb.: Língua Materna, Aquisição, Língua-Alvo.

Intervenção Pedagógica

Inserção do professor como ensinador no processo de aquisição do aluno na tentativa de apoiá-lo.

V. tb.: Intervenção, Aquisição de Línguas, Processamento de Insumo.

Intuição

Tipo de conhecimento informal que surge na mente do professor e do aluno de língua, ou ainda de um terceiro agente ao qual se recorre para agir de maneira imediata no esforço de aprender ou ensinar línguas ou para posicionar-se sobre estes processos. A intuição é uma fonte perene de idéias sobre ensinar e aprender línguas. Possui relação com base de conhecimentos anteriormente construída na vida vivida de modo a conferir qualidade distinta ao que se intui.

V. tb.: Competência Implícita, Pressuposto, Crenças.