Voltamos ao período letivo, foi o fim das férias e o início de mais uma jornada para pais, professores e alunos.

Toda a rotina volta ao normal, motivo de alegria para alguns, mas para outros pode ser um momento de muita aflição, em especial para aqueles que foram vítimas da prática antiga e corriqueira, “brincadeira de criança”, hoje denominada bullying.

O bullying (do Inglês, bully = valentão, brigão) compreende comportamentos com diversos níveis de violência, que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos francamente agressivos, sob forma verbal ou não, intencionais e repetidas, sem motivação aparente, provocados por um ou mais alunos em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação, discriminação, entre outras sensações. (LIBERAL, et al., 2005).

Os educadores têm um papel fundamental diante dessas situações, não podendo fazer “vista grossa”, nem permanecendo alheios. Claro que a sala de aula é o local de mais contato entre as crianças e os adolescentes, e desse contato afloram as diferenças, o que é natural e saudável para um bom desenvolvimento social, mas é necessário a sensibilidade de intervir no momento em que as brincadeiras passam dos limites.

Calma, os educadores também não são aqueles que irão abolir o bullying da sala de aula, até porque isso é só um reflexo do que as crianças/adolescentes aprendem em casa ou na rua. Mas eles precisam estar preparados para lidar quando isso acontecer, e essa orientação e intervenção deve ocorrer de maneira saudável, firme mas não autoritária. É preciso que o conflito entre vítima(s) e autor(es) seja resolvido de forma mais pacífica, fazendo que os praticantes do bullying compreendam os impactos negativos que causam no outro, e não somente parem de praticá-lo por uma proibição.

Olhando o site do IBGE, encontrei uma pesquisa de 2012 que mostra os resultados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), que mostra que 20,8% dos estudantes praticaram algum tipo de bullying (esculachar, zoar, mangar, intimidar ou caçoar) contra os colegas, nos últimos 30 dias, levando-os a ficarem magoados, incomodados ou aborrecidos.

Sabemos quão difícil é mudar esse quadro, tendo em vista que essa prática já é antiga, mas somente repercutiu recentemente, talvez, pelos diversos estudos sobre a mente e o comportamento dos adultos problemáticos, ao longo dos últimos anos.

As “brincadeiras” geram traumas para as vítimas e chegam a causar um súbito desinteresse pela escola, dificuldade de relacionamento com os demais colegas, rendimento escolar afetado, problemas psicológicos e em casos mais extremos, o suicídio, como já noticiado no Brasil.

É preciso um empenho de todos, pais, educadores, familiares: nada se muda sem a conscientização de que aquilo que deve ser mudado é errado, então precisamos esclarecer o que é o bullying, o que ele causa, para começarmos coibir as práticas.

Galera! Vocês acreditam que mesmo com toda essa repercussão, no Brasil ainda não há nenhuma lei de âmbito nacional? Apenas leis estaduais e em poucos estados! Mas já existe no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) n. 5.369, que criminaliza o bullying. Hoje é bem comum encontrar processos judiciais baseados na Constituição Federal e no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que punem essa prática, afinal, a nossa Constituição prevê indenização em casos que ocorram violação de direitos fundamentais do ser humano, previstos no artigo 5º, incisos III, V, VI, VIII, X, XLII e XLIII.

No ECA também temos a previsão de medidas disciplinares para as crianças e/ou adolescentes que praticarem atos considerados crimes ou contravenções penais. Dessa forma, serão vistos como atos infracionários e ficará à critério do Juiz a medida a ser cumprida. Nos casos de bullying, no Judiciário, temos acompanhado que as medidas mais frequentes são: advertência; obrigação de reparar o dano e prestação de serviço à comunidade.

Isso é impor limites, mostrar que as diferenças existem e elas devem ser respeitadas, algo que deveria ser ensinado em casa e posto em prática na escola e na vida, mas muitas crianças não têm esse exemplo, e isso de uma maneira ou outra reflete em seu comportamento.

Com certeza esse é um tema muito debatido de maneira informal, mas não é visto pela sociedade com a atenção necessária. Lembremos que a criança de hoje é o o adulto de amanhã, e a escola antes de mais nada deve sempre ser um ambiente acolhedor, as brincadeiras existem, mas para toda conduta deve haver um limite.

Nos próximos posts abordaremos o papel de cada um no combate ao bullying e como é o sentimento de quem já sofreu e de quem o pratica. O que acham de opinar? Assim podemos também fazer análises sob várias perspectivas.

 

Suellen Mendes
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Estudante de Direito, apaixonada pelas pessoas e pela vida. Uma mulher que ama viajar e é louca por futebol! Conectada 24 horas!

 

 

 

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Bullying e agora?

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