Desde que nasce, a criança inicia um processo de interação com os sistemas simbólicos sociais. A língua é um desses sistemas e está composta por vários gêneros e registros que se utilizam de formas convencionadas de falar, ler, escrever (Hyland, 2002). Para participar de uma comunidade linguística, é preciso entender e produzir textos adequados a seus contextos.

Muitas pesquisas em educação infantil já mostraram que o desenvolvimento da oralidade está intimamente ligado à aquisição e ao aprendizado da leitura e escrita. No entanto, no caso dos falantes de herança, a falta de convivência com registros orais diversos e o acesso restrito ao contexto familiar oral pode dificultar ainda mais o processo de leitura e escrita.

Linguisticamente, o trabalho inicial com os falantes de herança deve priorizar: (1) a expansão do vocabulário; (2) a ampliação do uso de estruturas gramaticais complexas; (3) a apropriação dos registros formais da língua oral. Em um primeiro momento, o objetivo inicial é a ampliação dos usos da língua oral para além do contexto familiar informal.

Paralelamente ao desenvolvimento do vocabulário e de novos registros, o trabalho com a linguagem oral também se estende à exposição de sons. Atividades contextualizadas com fonemas têm-se mostrado muito produtivas quando baseadas em textos do folclore como trava-línguas, parlendas, conto e reconto de histórias e músicas que forneçam recursos fonéticos a serem explorados ludicamente.

As crianças, desde muito cedo, têm o direito de conhecer e de interagir com um amplo repertório de textos verbais e não verbais de suas línguas de herança. Para contemplar essa diversidade, os pais e professores podem explorar músicas, artes visuais, literatura, folclore, notícias, enfim, textos de diferentes gêneros e suportes. O importante é oferecer materiais que variem entre os registros formal e informal para ampliar o repertório de insumo linguístico a que os aprendizes têm acesso.

Ivian Destro Boruchowski
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Cursou Letras e Pedagogia na Universidade de São Paulo, trabalhou como professora de Literatura, autora de materiais didáticos e coordenadora pedagógica em São Paulo. Morando nos Estados Unidos, foi secretária da American Organization of Teachers of Portuguese (AOTP), para quem efetuou trabalho voluntário e dirigiu uma coluna quinzenal sobre a Língua Portuguesa (coluna Nosso Idioma, no jornal Gazeta Brazilian News). Atualmente, é mestranda em Curriculum and Instruction na Florida International University (FIU), cujo objeto de pesquisa é o currículo de línguas de herança.

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