Na edição de hoje, vamos falar sobre Feminismo, e claro, Machismo de uma maneira mais abrangente, contextualizando com um infográfico a importância do Movimento Feminista, além do bate-papo com a Valesca Popozuda, a funkeira e colunista formadora de opinião que tem movimentado bastante algumas frentes Feministas.

Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, mais conhecido como o dia de dar rosas para as moças e .... e.... e só!

É isso o que acontece com essa data e sabem o motivo? Ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, onde o homem é quem comanda e detém o poder da sociedade, bem como os direitos sobre as mulheres.

Um exemplo disso é que pouca gente sabe que o Dia Internacional da Mulher surgiu em decorrência do incêndio proposital em uma fábrica de NY em 8 de março de 1857, onde 130 tecelãs que reivindicavam por carga horária de trabalho e salário equiparado com o dos homens foram mortas carbonizadas.

A data foi oficializada após um decreto da ONU em 1975. Ou seja, o Dia Internacional da Mulher não é para dar flores, é para lutar por mais direitos!

Essa data, de certa forma, reconhece o Movimento Feminista como algo que discute o papel da mulher na sociedade, luta pela igualdade de gêneros e pelo fim da desvalorização das mulheres.

Quero mandar um beijo para os Iluministas e para os que apoiaram a Revolução Francesa – beijo, gente!

Muitos direitos foram conquistados, como o Direito ao voto (1893, na Nova Zelândia e 1946, no Brasil), Direito ao ensino superior (1837, nos Estados Unidos e 1887, no Brasil). Depois de muitas mortes e abusos, criou-se a Lei Maria da Penha, e há também o Decreto Legislativo que determina a igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

Mas ainda há muito o que conquistar, prova disso são as infinitas frentes de Militância em prol da causa Feminista que vão desde o direito da mulher ter liberdade sobre o próprio corpo, a equiparação de cargos (uma vez que apenas 14% das mulheres ocupam cargos de liderança em multinacionais), até o Direito ao aborto (que defende a liberdade da mulher de gerar ou não o feto em caso de gravidez).

O Machismo existe também entre as próprias mulheres, prova disso foi a chuva de ofensas de cunho moral destinada à Presidente da República, Dilma Rousseff, nas últimas manifestações que ocorreram em março de 2015, como vaca, piranha, vadia, puta etc.

Isso evidencia a existência do Machismo, pois chamar um homem de puto, vadio etc., não é ofensa, é até elogio, é sinônimo de ser garanhão – o tal cara que tem uma vida sexual ativa e farta.

Indo mais além, questiono o motivo pelo qual uma mulher puta é menos digna do que uma mulher não puta. Aliás, o que caracteriza uma mulher puta?

Levando isso para o âmbito de profissões, por que uma Administradora merece mais respeito do que uma Prostituta? Por acaso, é a mesma linha de raciocínio preconceituosa que discrimina pessoas com Ensino Superior das com Ensino Fundamental incompleto?

Trazendo isso para uma análise contemporânea, por que uma mulher com vida sexual ativa, que opta por ter vários parceiros (as), tem menos valor para a sociedade do que uma mulher que opta por um relacionamento monogâmico ou até pela castidade?

Por que o grau de liberdade e independência da mulher está atrelado ao seu valor social? Por que quanto mais livre ela for, menos ela “presta”?

Por acaso, é por algo religioso? E se for, não vivemos num país laico?

Por que uma mulher que opte por ter um filho sem um parceiro é menos digna do que a que decidiu formar uma família tradicional?

Por que um homem anda sem camisa na rua, mas se a mulher o fizer ela é imoral? Por que sempre ofendem a mãe do juiz?
Por que tem coisa de mulher e coisa de homem? Por que mulher é sexo frágil, se é ela quem luta há décadas pelo direito de ser livre? Ser livre: o direito que é, naturalmente, concedido ao homem logo ao nascer.

O que eu, Maria Clara Paes, defendo?
- O direito de sermos quem queremos ser e o direito do outro ser da maneira que ele opte ser, desde que, não ofenda nem agrida ninguém. O Machismo? Ele agride e mata, mata todo dia.


Se liga nesse infográfico.


E aí, você ainda acha que o Feminismo não tem razão de ser?

Falando em razão de ser, vamos ao papo que tive com a Valesca:

Sobre a divergência de discurso dentro do funk, em que alguns declaram que “se o homem portar o tal kit a mulher topa tudo” e “meu corpo, minhas regras”, Valesca disse que consegue lidar bem – Acaba virando aquela guerrinha de sexos, né? Mas é tranquilo, eles dão o recado deles e nós damos o nosso. Temos que derrubar essa barreira! É o exemplo da música Tá pra nascer homem que vai mandar em mim.

Hoje, o funk cantado por mulheres é um movimento feminista, o funk mudou e eu acompanhei essa mudança. Valesca não canta mais palavrão em suas músicas e dá mais voz às mulheres, essa é uma forma também de atingir a todos os públicos e desmistificar os preconceitos que existem com o movimento musical. Com isso, ela acabou se tornando referência em liberdade da mulher para algumas frentes de militância Feminista – Eu fico lisonjeada em virar referência, é algo que foi acontecendo naturalmente.

Um exemplo da transformação do funk (muitas vezes taxado de reduzir a mulher ao corpo e à exploração dos homens) foi a tese de Mestrado apresentada nos EUA pela professora Jaqueline Conceição da Silva cujo tema é o Movimento Feminista no funk.

Há muitas abordagens que permeiam nesse gênero musical, mas o empoderamento e a autonomia da mulher está cada vez mais presente. Valesca, inclusive, ajudou financeiramente a professora, custeando sua viagem – Ajudar a professora foi algo que eu precisei fazer, pois era muito importante ela mostrar a cultura do funk no exterior, e também, as transformações no cenário feminino.

Apesar do preconceito ter diminuído bastante por eu ser mulher, funkeira etc., ainda tem aqueles que viram os olhos para mim, mas é um índice bem pequeno comparado à quantidade de mulheres que me abordam para falar sobre feminismo e como isso tem mudado as suas vidas. É incrível!

O funk tem ajudado as mulheres a se libertarem, refletirem e lutarem pela igualdade de gêneros, pois cada vez mais, elas têm tomado consciência do seu valor na sociedade, se tornando donas de si, sendo protagonistas da sua história e entendendo que não devem se curvar a ninguém por questões socialmente impostas, disse ela sobre a transformação das mulheres através do funk.

Perguntei para Valesca se ela acredita que esse lance de “recalque, inimigas, etc” acaba fortalecendo o Machismo, uma vez que afasta as mulheres umas das outras – dando força então para o homem opressor. Ela respondeu: Essa coisa do “recalque” pode até ser vista como algo Machista, mas da forma como eu coloco é visando aquela mulher que tenta diminuir a outra, sabe?

Entendi que é direcionado, por exemplo, àquelas que reproduzem o Machismo e tentam diminuir as mulheres que têm consciência da sua liberdade, classificando-as como mundanas ou inferiores.

Falando sobre a educação como instrumento transformador, Valesca diz: Temas como Feminismo, liberdade sexual, respeito à diversidade etc., devem ser abordados nas escolas com muita palestra e rodas de conversa. Falar de tudo isso com naturalidade muda totalmente a forma como é visto, transformando o futuro e levando ao respeito.

E é claro que não poderia faltar aquele recadinho pra galera ~do mal~ que ainda não respeita a diversidade: Para quem é preconceituoso, eu deixo um #beijinhonoombro. Para a galera da Maria Clara, eu digo: vamos viver e ser feliz, isso é o que importa!

Mulheres, sejamos livres! Homens, não temam o Feminismo – queremos apenas a equidade de gênero.

 

E aí, curtiram? Na próxima semana, teremos a cartunista Laerte na Nem rosa, nem azul também falando sobre Feminismo.  

 

Maria Clara Paes
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Poeta de primeira viagem, escrevo no caderno, nos rascunhos, pela vida afora e coração adentro. Agridoce – tem que ter paladar! Louca por música e pelo Batman. Ora princesa, outrora batgirl, goy, birl, girltogirl, mas quem se importa? O importante é lacrar! Sou da Paes, sou Maria Clara. Vivo de amor profundo, já que o amor é a única revolução verdadeira. Chega mais que aqui tem jogo!

 

 

Comentários  

# Milce 09-04-2015 16:41
#beijinhonoombro pros machistas de plantão :-*
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