Hi, guys!

E então, curtiram nosso 1º texto? Desejo que sim!
É importante saberem que sou aberta a sugestões e indicações de melhorias, ok?
Aliás, gosto mesmo de fazer a linha Gilberto Gil: “Eu quero entrar na rede e promover um debate” =D

O tema de hoje é: Professores LGBTT x Preconceito dentro das Instituições de Ensino.

Não sei se vocês sabem, mas recentemente na Itália, uma professora foi demitida por ser, possivelmente, lésbica. WTF?! A professora negou-se a responder perguntas referentes a sua orientação sexual e foi demitida. A repercussão foi tanta que até a Ministra Italiana da Educação, Stefania Giannini, se pronunciou: “Se realmente houve discriminação sexual, seremos muito severos”.

Em pleno século XXI não é um cenário tão distante ter docentes LGBTT no universo escolar/ universitário e ainda assim há preconceito. A grande questão é: por que um docente não pode ser LGBTT? Por acaso LGBTT não estudam? Não podem educar?

A justificativa mais comum por trás desse preconceito é: “eles influenciarão nossos filhos!”. Pressuponho que para um dirigente de uma instituição de ensino não deve ser fácil conciliar esses atritos dentro das instituições de ensino.

Uma situação muito comum é ter professores LGBTT que se omitem para evitar conflitos dentro das escolas. O que é um grande erro, uma vez que isso gera mais preconceito. A omissão é auto-opressão! Não estou dizendo: “Levantem bandeiras e pintem arco – íris em vossa face!”. Estou dizendo: “É natural ter gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e heterossexuais em todo lugar do mundo, em qualquer atuação!”.

Para levantar uma discussão mais próxima da realidade, busquei profissionais da área da Educação que são assumidos e também a opinião de um educador heterossexual para discutirmos um pouco sobre esse tema polêmico.

É o caso de Regiane Menezes, 36 anos, lésbica, casada e mãe de 4 filhos. Pedagoga, pós-graduada em Docência no Ensino Superior e Mestranda em Práticas Pedagógicas. Ela leciona diversas disciplinas na Pedagogia, entre elas Prática de Ensino e Fundamentos da Educação Lúdica; e vai falar para nós, um pouco sobre como é atuar com educação sendo lésbica.

Vou fazer aquele esquema que vocês já conhecem de perguntas e respostas, ok?

Qual a sua opinião acerca do preconceito dentro as instituições de ensino (escolas, universidades etc)?

Acredito que os professores deveriam ser os primeiros a banir o preconceito, ou seja, não é possível acreditar que possa fazer um bom trabalho, um professor que não fez algo consigo para se livrar de preconceitos, afinal, ele é um formador de opinião. Infelizmente, o que eu já ouvi foram falas preconceituosas de professores que deveriam ser os primeiros a ajudar a combater qualquer tipo de discriminação.

Seus alunos sabem da sua orientação sexual?

Sim e não - risos. Minha orientação sexual não é segredo, porém não saio falando sobre isso com meus alunos. Mas no decorrer das aulas muitos acabam solicitando amizade em redes sociais, e dessa forma acabam, naturalmente, tomando conhecimento a respeito disso, pois não me escondo - posto fotos da minha família (companheira e quatro filhos) e de situações que vivemos juntos. Ainda não falo abertamente, pois sei que ainda há muito preconceito, então prefiro que elas me reconheçam e me respeitem primeiro pelo meu trabalho e depois pela minha vida pessoal.

Você já sofreu algum preconceito de pais ou alunos ou até mesmo dos dirigentes de alguma instituição?

Nunca.

Você acredita que os alunos podem ser influenciados pelos docentes através da orientação sexual. Ex: um docente gay e o jovem ‘virar’ gay também?

Jamais, isso não existe. Ninguém influencia ninguém a ter essa ou aquela orientação sexual. Ao final da nossa conversa, Regiane finalizou com uma mensagem aos docentes que fazem parte do grupo LGBTT e tem receio de se assumir por conta do preconceito:

“Devemos encarar a nossa sexualidade com naturalidade para que as pessoas comecem a enxergar as coisas sem tantos preconceitos, com mais naturalidade também. Sempre digo o seguinte: como professora devo ser um bom exemplo de ser humano e de cidadã e como mãe de quatro adolescentes também. Como eu poderia falar para meus filhos e alunos para não serem hipócritas se eu fosse hipócrita e me escondesse como se estivesse fazendo alguma coisa de errado?”

Para mostrar um outro lado dessa nossa discussão, contei também com a colaboração da Yolanda Brandão, 27 anos, heterossexual, solteira e psicóloga. Yolanda, que também leciona em Instituição de Ensino Superior, se dispôs a responder algumas perguntas para nós. Vamos lá?

Em sua vida profissional você já vivenciou ou teve conhecimento de preconceito com docentes do grupo LGBTT?

Em minha experiência como docente, na maior parte das vezes lecionei para adultos, portanto o preconceito de certa forma é velado, polido. Polidez que se espera em uma relação adulta dentro de uma instituição de ensino. Discursos como: "respeito o professor X e suas escolhas. Eu mesmo tenho vários amigos gays, mas não precisa sair por aí se expondo", "aqui tem adolescentes, ninguém precisa saber das preferências dele", falas toleradas, muitas vezes consideradas inofensivas, mas que acabam perpetuando e naturalizando a prática do preconceito e da exclusão. Ou já ouvimos casos de pessoas com dificuldade, inclusive na inserção profissional.

Você considera correto um professor assumir sua orientação sexual aos alunos e instituição de ensino (IE) em geral?

Corretíssimo, mas é evidente que nem todas as escolas estão preparadas, ou pior, nem todas dão espaço para um (a) professor (a) gay, lésbica, transexual falar abertamente sobre sua orientação sexual.

Você acredita que os alunos podem ter sua orientação sexual influenciada pelos docentes, ou seja, o fato de um professor ser gay pode induzir seu aluno a ‘se tornar gay’?

Esse tipo de afirmação é absurda e preconceituosa. Acredito sim que um professor que assume sua orientação sexual pode ser exemplo e ajudar alunos que sofrem por não saber lidar com sua afetividade por falta de conhecimento e mesmo preconceito. Aprender pelo exemplo, é umas das formas mais efetivas de aprendizagem. Observar, conversar com professores desse grupo, pode dar conhecimento para jovens com orientação sexual diferente dos que os pais, amigos e para lidar com as situações difíceis.

Você acredita que há preconceito por parte dos alunos, pais e integrantes de uma IE com professores LGBTT?

Claro, mas acredito que falte um amplo diálogo sobre o tema. Nas salas de aulas, nos intervalos, com todos os agentes da educação. Ninguém nasce preconceituoso; e quanto mais tabu criarmos a respeito do tema, mais difícil se torna a convivência, não só com o grupo LGBTT, mas com outras minorias, como negros, pobres, pessoas com deficiência.

Se pudesse deixar uma mensagem a respeito da intolerância quanto à diversidade sexual, qual seria?

Qual o lugar onde mais se deve praticar e aprender sobre a tolerância, a diversidade? Qual o papel da escola, senão formar pessoas que pensem, que critiquem, que reflitam e que percebam que o mundo é muito mais do que acreditamos e praticamos. O papel dos professores nesse sentido é facilitar esse processo. Os docentes do grupo GLBTT são protagonistas quando se trata de discutir diversidade sexual. Mas todos nós - alunos, direção, pais, demais funcionários - somos responsáveis por mostrar que a vida, assim como a sexualidade, é diversa.

Yolanda, sem querer, traduziu o princípio básico da coluna “ Nem rosa nem azul”. Queremos promover o diálogo acerca de tantos assuntos polêmicos. Erradicar o preconceito é quebrar paradigmas e ampliar a visão. O educador tem que promover a evolução de seus alunos, bem como os pais e dirigentes das instituições de ensino.

Ninguém nasce preconceituoso, torna-se preconceituoso. A questão não é ser a favor ou contra determinada orientação sexual, e sim respeitar. Entender que o caráter e a competência de uma pessoa independem do gênero pelo qual ela tem afetividade

A orientação sexual não é uma vertente religiosa, na qual tem que se angariar seguidor. Nenhum professor heterossexual é menos ou mais digno do que um LGBTT. Nenhum docente LGBTT tem como intenção “converter” alguém para sua orientação sexual – a definição dessa é um processo interno, particular e, por isso, único.

Desejo que essa edição seja tema de muito debate e conflito construtivo dentro das instituições. E lembrem-se, queridos docentes, dirigentes, pais e afins: “Silenciar não é acabar com o preconceito. Desmistificar é o segredo!”

Na próxima coluna, teremos a participação de alunos e mais docentes, inclusive de uma diretora de instituição de ensino pública, opinando acerca do preconceito dentro das escolas.

Um abraço e até o próximo encontro!

#somostodoshumanos

 

Maria Clara Paes
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Poeta de primeira viagem, escrevo no caderno, nos rascunhos, pela vida afora e coração adentro. Agridoce – tem que ter paladar! Louca por música e pelo Batman. Ora princesa, outrora batgirl, goy, birl, girltogirl, mas quem se importa? O importante é lacrar! Sou da Paes, sou Maria Clara. Vivo de amor profundo, já que o amor é a única revolução verdadeira. Chega mais que aqui tem jogo!

 

 

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