Brasília, 10 de agosto de 2014

Caro povo brasileiro,

chamo-me Tiago Carvalho e também me chamo povo brasileiro, logo esta carta é por mim endereçada e endereçada a mim, e venho lhe falar e falar a mim, que hoje assisti ao belíssimo filme argentino "O estudante", um filme sobre política e sobre o cidadão político. O filme, meu povo e eu mesmo, é muito bom, assistam, pois independentemente da coloração política, se de direita ou esquerda, se azul ou vermelho, se do José ou do João, o jogo político é realmente sujo, envolve poder, mas se você souber dizer não, na hora certa, o jogo político é jogado com P maiúsculo, e então o bem comum prevalece, papel este inarredável da política sempre, da política com P maiúsculo e precisamos lembrar sempre disso.

Meu povão e eu mesmo, posso dizer a vocês e a mim que nesta época de campanha eleitoral temos raiva da política, odiamos a propaganda eleitoral gratuita, vomitamos diante da demagogia e das falsas promessas, e aquela história de que nós o povo, somos os responsáveis, por elegermos os que se parecem conosco, é uma meia verdade, não fujamos da nossa responsabilidade, mas um povo sofrido, batalhador, que construiu este país pelos mais diferentes meios, uns legítimos, outros não, não pode ser acusado de ter a cara da classe política. A cara da classe política é a cara da classe política, a cara do povo é a cara do povo, e cada um que responda pela sua própria cara. Claro que a classe política é parte do povo brasileiro, logo esta parte do povo que responda pela sua cara.

O que interessa mesmo é que não entendamos o jogo político como desnecessário, ou como um mal necessário, e que entendamos a necessidade de refletir essa política sem sofisticação, porque no meio do povo há os sofisticados e os não sofisticados, ambos da mesma matéria: gente. E neste caso prevalece o espírito geral, não o do sofisticado clássico, escolar, econômico, mas o do não sofisticado, aquele que detém a sofisticação natural da vida e que entende que a vida individual e coletiva tem de ser bem vivida e defendida por todos, e a campanha política deve eleger os homens com esses compromissos, mesmo que saibamos que quase não há homens com esses compromissos.

E povão, é necessário dizer que esta campanha será suja, mais suja que as outras, será mera troca de acusações, pelos meios naturais, a voz, e pelo meios mais modernos, a internet, as mídias, mas você não deve se sujar, com a parte suja que vem de nós, a parte do povo que suja a campanha, nas ruas e nos meios, você deve intuir que o cidadão mais próximo de você e de sua realidade, que se candidata no seu bairro, na sua comunidade, na sua vila, na sua cidade, na sua metrópole deve ser por você investigado e a qualquer suspeita, não dê seu voto a ele, e se todos forem suspeitos, suspenda seu voto, não é campanha pelo voto nulo, é campanha pelo não voto no minimamente suspeito.

Não tenhamos a ilusão da eleição perfeita, vinda desta classe política, uma lama quase total, mas tente retirar a flor do lodo, pois não há como fugir de uma melhora e crescimento espiritual de uma sociedade sem melhorarmos nosso voto. Quero agradecer a vocês e a mim, povo brasileiro, por sermos quem somos e por podermos ser melhores do que o que apresentamos neste momento da história.

com afeto
TIAGO CARVALHO

Tiago Nascimento de Carvalho
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Brasiliense, professor de literatura do ensino médio e superior em Brasília, mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília, e doutorando em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra em Portugal.
 

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