Nós, professores, somos feitos de capacidades para usar conhecimentos em ações de apoio à aprendizagem. No nosso caso, trata-se de preparar os aprendizes para o uso de línguas em múltiplos propósitos, entre eles a manutenção de relações e a produção de conhecimentos, por exemplo. Para fazer nosso trabalho, contamos com uma base obtida da tradição informal de uma cultura de ensinar e de características de nosso caráter nacional/regional/familiar, base essa que se combina com teoria formal relevante e com certa capacidade de desempenho nessas línguas. Influenciam a qualidade de nosso fazer profissional também um conhecimento da história do ensino de línguas do país, um anteparo de políticas de ensino de línguas que regula e impulsiona ações e um código de ética profissional. É sobre esse último aspecto formador e balizador da nossa identidade e competências que tratarei nesta postagem.

Preocupa-me constatar que não contamos com um código de ética para a prática da profissão de ensinar línguas neste país. Por isso, não temos também conselhos regionais e conselho nacional que implementem o código. Sem um código de ética explícito e aprovado pelas associações de professores de línguas, os profissionais se orientam pelos valores pessoais morais e, eventualmente, partilhados informalmente com outros praticantes. A prática contemporânea da profissão parece requerer mais que isso.

Um código de ética dos Profissionais do Ensino de Línguas, quando sancionado, exporá os fundamentos éticos e as condutas necessárias à boa e honesta prática de professores de língua estrangeira e fixará direitos, deveres e obrigações referentes à prática profissional e a sua relação com a formação, com o ensino, com o aluno, com seus pares, com a instituição e com a pesquisa. Mais do que regulamentar as relações e punir quebras de conduta recomendável e aceitável, o código servirá primordialmente para apoiar a formação da competência profissional dos professores de línguas, seja ela em serviço, depois da certificação para ensinar, seja antes dela na formação inicial nas licenciaturas.

Proximamente indicaremos aqui um endereço na rede no qual estará disponível uma minuta do Código preparada como projeto de pesquisa em nível de mestrado por Elizabeth Mello no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade de Brasília. Nossa participação no aperfeiçoamento desse instrumento para guiar a conduta ética dos professores de língua deste tempo será vital. O cerco para uma prática profissional afinada com a atualidade vai encontrar no Código um aliado balizador e dele podemos participar como indivíduos e associações. Adiante, sempre!

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