ELFE é o modo de ensinar línguas (um método) que se explica com conceitos do que é língua, ensinar e aprender uma nova língua com recortes e especificações de ação (uma metodologia) desse/nesse idioma que necessidades e condições impõem. Acontece que quando aceitamos que há sempre uma abordagem ou filosofia vigente numa situação de ensino de língua(s), ela não orienta apenas a materialidade do método (instrumental neste caso). Ela influencia igualmente um planejamento do ensino de corte instrumental que se concretiza num método apoiado por materiais adequados e que se controla e evidencia progresso com um tipo de avaliação também com essa natureza. O que se convencionou chamar no Brasil de Ensino Instrumental de Línguas não é, na verdade, uma abordagem, mas uma especialidade de trabalho/de ensino de línguas reconhecível por certas características como maior definição de objetivos e alguma forma de limitação (para certa prática profissional, de estudos, em tempo mais curto, por exemplo). O ELFE ganhou imenso impulso com a abordagem comunicativa nascida nos anos 70, por obra de princípios ativos como a primazia da construção de sentidos na interação, o uso de uma nomenclatura de categorias muito além da gramatical e a consulta aos aprendizes para se iniciar o planejamento.

Para praticar ELFE, temos primeiro de nos colocar numa perspectiva de abordagem. O que nos anima, um princípio geral gramatical-sistêmico ou uma lógica comunicacional-interativa? Daí partimos para planejar o curso na sua base, estabelecendo direitos, objetivos e condições de trabalho (aprendendo e ensinando). Depois, seguimos em busca de material didático adequado e com ele ativamos um método, as práticas de ensinar e aprender a nova língua. Por fim, avaliamos as proposições, o conteúdo e as ações reflexivas dos agentes registradas no plano de curso e avaliamos o progresso dos aprendentes. A fase de planejamento é, portanto, basilar e é ela que define o rumo das ações que transcorrerão depois no método instrumental. Para saber mais sobre o trabalho de planejamento, veja-se ALMEIDA FILHO (2012) no livro Quatro Estações no Ensino de Línguas, Pontes Editores.

É importante ainda esclarecer que metodologia é um conceito distinto de método. Em termos práticos, metodologia é um tipo de estudo do método, de abordagem parcial do método. Trata-se de uma explicação de porque um método é o que é. Com o advento do termo mais abstrato e mais abrangente da abordagem, metodologia tornou-se uma denominação desnecessária ou superada em muitas discussões sobre o ensino e aprendizagem de línguas. A área acadêmica, teórica e prática a que estamos afeitos é a de Aquisição e Ensino de Línguas, incluída aí a formação de agentes como professores, alunos aprendentes e terceiros relevantes. Veremos, numa próxima postagem da coluna, algumas características desse planejar élfico que desencadeia um ensino de especialidade que nasceu com o ensino médio técnico das línguas, principalmente o inglês antes dos anos 80, vicejou com o Projeto Inglês Instrumental coordenado por especialistas da PUC-SP do final dos anos 70 até os anos 90 e que é novamente crescente no Brasil, desta vez puxado pelos contextos tecnológicos de nível superior dos Institutos Federais, dos Centros Universitários e faculdades FATEC, além de escolas técnicas de nível médio.

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