Muitos ainda estão se perguntando o que tá acontecendo no Brasil. A seguir tem alguns motivos que podem estar na sua cabeça depois de ver os noticiários da TV:

  • Os protestos em São Paulo são pelo motivo de: aumento de 0,20 na passagem.
  • A Dilma foi vaiada na abertura da Copa das Confederações em Brasília pelo motivo de: o povo não quer a Copa.
  • Os protestos em várias cidades do Brasil são pelo motivo de: é tudo estudante que não tem o que fazer!

Se de fato você ainda pensa dessa maneira, acredite, não tem nada a ver com Copa ou com 0,20 centavos , você está equivocado e precisa urgentemente assistir menos TV e acompanhar mais as notícias por meio das redes sociais.

Por incrível que pareça, o Brasil acordou e foi às ruas para manifestar a sua insatisfação. E foi tudo feito, falado, organizado e mostrado ao vivo pelas redes sociais. Mais de 79 milhões de pessoas só falavam sobre as manifestações na internet.

Esse fenômeno se dá porque, além do fácil acesso às informações a qualquer hora, tudo pode ser visto mais claramente por meio das experiências (sem edições) das pessoas que estavam ao vivo nas manifestações. As informações não tinham a manipulação que frequentemente a grande mídia tem que se submeter devido aos seus contratos comerciais. Inclusive, vários canais de comunicação se pautaram pela produção do próprio público dos movimentos por se mostrarem como fontes autênticas. Infelizmente, muitos desses veículos de comunicação buscavam apenas as cenas sensacionalistas.

Contudo, notícias boas também se espalharam devido a cobertura da web, e claro, a pressão popular fez grandes canais televisivos mudarem seus discursos tendenciosos na cobertura das manifestações.

Sim, as redes sociais possibilitaram não só a liberdade de expressão do povo, mas também mostrou que conectados somos mais fortes e até mais organizados. Recebi vários pedidos de grupos de manifestos no Facebook. Tais grupos se organizam, trocam ideias e fazem enquetes sobre as manifestações. Os grupos são bem variados, desde o movimento ativista do #vemprarua como aqueles que ensinam as pessoas a manifestarem o seu apoio mesmo dentro de casa, como o #vemprajanela, que convoca a todos a colocar em suas janelas panos brancos para mostrar que não somos poucos e nem muito menos só ~internautas~, mas para mostrar solidariedade ao movimento e o desejo de que seja pacífico, sem violência.

Várias pessoas influentes nas redes sociais como blogueiros, vloggers, tuiteiros fizeram algum tipo de movimento de apoio, tais como o movimento "Dói em Todos Nós", o qual o fotógrafo Yuri Sardenberg registrou artistas maquiados como se tivessem levado um "soco na cara" como foi feito com a jornalista Giuliana Vallone, que levou um tiro de bala de borracha no olho durante a cobertura das manifestações em São Paulo. Veja o relato dela aqui.

O vlogueiro PC Siqueira fez um vídeo esclarecedor sobre toda a questão dos "20 centavos", no qual mostra que foi apenas a "cereja do bolo" para toda a demonstração nacional da revolta recolhida há anos. O vídeo tem muito bom senso e que vale muito assistir.

"A revolução não vai ser televisionada" já dizia Gil Scott-Heron nos anos 70s e que agora faz todo o sentido essa frase. A revolução está nas mídias online e está sendo produzida pelo povo e para o povo. Para saber mais como acompanhar pela internet veja aqui.

Mas afinal, sobre o que protestam? Há uma heterogeneidade de assuntos, o que para muitos críticos isso é ruim, mas em TODOS os protestos gritam palavras de ordem exigindo educação e saúde de qualidade. O povo está doente e quer tratamento médico, mas sabe que o tratamento sem a educação não há cura.

Essas pessoas estão nas ruas gritando por Educação qualidade assim como nós, professores, que fazemos esse grito silenciosamente todos os dias em nossas salas de aulas, todas às vezes que mesmo sem infra-estrutura, sem formação adequada, sem salários compatíveis com nosso papel social, mas ainda assim, de alguma maneira, a gente acredita que o nosso trabalho docente é crucial para mudar a situação do país. Há tempos tentamos ajudar a formar cidadãos melhores, que lutem por mim e você, que não lutem por seus direitos, mas que lutem pelos NOSSOS direitos, que vejam que todos somos uma ÚNICA nação. É, parece que esses alunos cresceram, parece que esse dia chegou e parece mesmo que conseguimos atingir nosso objetivo.

Convido a todos nós, educadores (professores, diretores, coordenadores, pais, psicopedagógos, auxiliares da limpeza, bedéus, porteiros), a não nos omitirmos desse marco histórico-social do Brasil, a não deixarmos de falar sobre as manifestações em sala de aula porque o livro didático ou o "calendário apertado de provas" não permitiu, a não deixarmos de ir para as ruas e incentivar nossos filhos e alunos a lutarem por um país melhor. Isso é ensinar na contemporaneidade, isso é educação de qualidade!

Foi para isso que nos formamos: para ajudar o Brasil. E aqui estamos, na hora e no momento certos com as pessoas certas. Não há partidos, não há líderes, há apenas um povo que ama o Brasil e deseja muito que sejamos um país melhor porque a gente verdadeiramente acredita nisso, assim como nós, educadores.

#vemprarua #oGIGANTEacordou #ChangeBrasil #VamosHackearAescola #ProfessorHacker

Leila Ribeiro
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Acordo usando o Twitter, passo o dia aprendendo com a internet, apaixonada por relações das pessoas na web e da apropriação do conhecimento dos professores na era digital. Ah! Sou também doutoranda em Ciência da Informação, mestre em Linguística Aplicada, educadora da vida, jornalista e publicitária leiga por pura paixão.

 

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