O nome desta coluna é “Educar na Cultura Digital”; mas será que existe mesmo alguma diferença entre a ação de educar na cultura analógica e educar na cultura digital?

Claro que sim! E geralmente não entendo quando as pessoas questionam isto…por isso vou tentar explicar alguns pontos aqui =)

A cultura digital modificou não apenas os meios, mas os fins. Não é apenas uma questão de utilização de outras ferramentas - do caderno para a tela, da caneta para o teclado, do livro para a internet -, as subjetividades mudaram. O que um estudante esperava da escola no século XX é completamente diferente do que espera o aluno do século XXI. Assim como a sociedade também espera que o indivíduo, hoje, saia da escola e tenha habilidades muito diferentes das de seus pais quando se formaram.

Por isso realmente não compreendo quando alguém questiona porque estamos pensando, como pesquisadores e profissionais da educação, em novas estratégias de aprendizagem. “Eu aprendi do jeito tradicional, meu pai aprendeu do jeito tradicional, meu avô aprendeu do jeito tradicional e deu tudo certo. O que tem de errado com o ensino tradicional?”. Esta frase só me passa um recado: estamos há muito tempo fazendo as coisas do mesmo jeito. A educação ficou parada no tempo enquanto o mundo evoluiu.

A insistência no modelo tradicional de educação - com um currículo super extenso e obrigatório, horários fixos, salas de aula fechadas, turmas divididas por idade, professores que se acham os detentores de todo o saber e gestores que nunca lecionaram -, é uma incoerência que está ficando cada vez mais óbvia.

A tecnologia não vai salvar a escola, principalmente se continuarmos a utilizá-la apenas como uma nova ferramenta para uma velha pedagogia. Qual o sentido em equipar toda uma escola com computadores, ou dar um tablet para cada aluno, se o seu único uso é a leitura de textos escritos no formato para impressão? Que tipo de inovação é esta? A quem serve esta mudança? Aos novos sujeitos digitais ou aos velhos professores analógicos?

A tecnologia digital não veio para reformar a educação, ela veio para revolucionar. Os indivíduos inseridos nesta cultura digital (e, vejam bem, não estou falando apenas daqueles que nasceram nesta nova geração, mas de todos aqueles que se identificam com as subjetividades que ela promove) não querem mais se moldar para caber na caixinha de seus pais e avós; eles querem subverter a ordem escolar até que a mudança venha. E quando isto acontecer, passaremos a enxergar a educação tradicional como vemos hoje, a palmatória do século passado: com incredulidade e repulsa.

E, olha, não é difícil achar exemplos de indivíduos que já estão fazendo esta revolução. Acha que estou exagerando? Então dá uma olhadinha nestes vídeos e comenta aí o que achou desses educadores do século XXI ;) 

Mariana Marlière Létti
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Viciada em internet, professora de sociologia, apaixonada por animais, louca por livros e por música. Acho que isto me resume bem. Mas também tenho mestrado em antropologia social e, atualmente, curso o doutorado em educação na Universidade de Brasília.

 

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