Na sociedade atual, percebe-se a tendência da família fragilizada em suas bases morais a transferir a responsabilidade formativa dos jovens para a escola e seus educadores, que ficam sobrecarregados em suas funções pedagógicas.

Os jovens, cada vez mais influenciados pela sociedade de consumo, consideram o espaço educacional apenas como um lugar de lazer, um ponto de encontro social, considerando a vida estudantil uma "canseira".

O professor se tornou o inimigo do aluno. Cada vez mais são constantes casos em que alunos(as) descarregam as suas frustrações existenciais nos(as) professores(as), provocando xingamentos e até mesmo agressões físicas, em um total desrespeito.

A escola, que deveria promover o desenvolvimento do saber e a conscientização cidadã dos indivíduos, converte-se em local de conflito e exclusão.

É possível que a crise da organização familiar seja uma das causas para a degradação do jovem e sua inerente manifestação da conturbada realidade estudantil da contemporaneidade. A estrutura familiar tradicional já não é capaz de promover em seus jovens o desenvolvimento rigoroso do respeito, do senso de responsabilidade, da autonomia, transportando para os professores(as) a tarefa que caberia aos pais.

O ritmo acelerado do sistema de trabalho em nossa sociedade capitalista e o despreparo familiar impedem que os filhos recebam a educação conveniente em seus lares, de modo que os pais projetam para a instituição escolar a  responsabilidade pela educação dos seus filhos.

Nessa perspectiva, cabe ao docente a tarefa de ensinar valores, o que deveria ser tarefa dos pais. Esse é um dilema que os(as) professores(as) estão enfrentando hoje. Priorizar o ensino  dos valores ou conteúdos necessários à formação acadêmica do(a) aluno(a)?

Estão os professores competindo com os pais, tentando achar um culpado para essa crise que estamos vivendo na educação contemporânea?

Eu me recordo de um artigo escrito pelo professor Renato Janine Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), em que ele faz referência a duas questões fundamentais para elucidar nosso dilema, ou seja, ele faz uma reflexão sobre competição e cooperação.

Penso que não se trata de achar o culpado, isso não é competição. Quem ganha, quem perde nesse jogo de culpabilidades? Gosto de pensar, como diz o professor Janine, que, no lugar de competir, será melhor cooperar.

Aos(às) professores(as) compete dosar o tempo todo o que queremos, os fins a que nos propomos. A eficiência é boa para definir meios, não para fins ou valores. Mas as metas da vida social devem ir  além disso.  Distinguir  metas e meios é essencial para quem se orienta na sociedade.

E como afirma o professor Janine “dosar é uma das artes da vida social, uma das artes que definem o estadista e o líder político, uma das artes que capacitam alguém a disputar o poder para mudar a sociedade”. Penso que será esse o nosso desafio – distinguir metas e meios para que se possa encontrar a dose adequada para transformar a educação em nosso país.

Profa. MSc.Gilvaci Rodrigues Azevedo
Profa. de Filosofia da SEE-DF

Educadores Globais
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Educadores Globais tem como objetivo principal abrir caminhos a professores por meio de projetos que sejam motivadores e que promovam engajamento social, cultural e educacional e os projetos de intercâmbio são um dos vários projetos realizados pelo grupo de professoras.

Comentários  

# Almerinda Garibaldi 11-11-2013 01:14
Ótimo texto! É de grande valor na ordem prática de nossas vidas a necessidade de estabelecermos onde queremos chegar (metas) e como chegaremos lá (meios). Assim como na vida profissional ou pessoal, nos projetos de aprendizagem, os alunos, guiados pelos professores precisam estabelecer onde e como chegar aos objetivos finais de cada proposta..
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