Questionei desde sempre o ‘slogan-missão’ do Governo Federal: País rico é país sem pobreza.

Ele mostra a visão restrita que as nossas lideranças políticas tem para o povo brasileiro. A maioria da população tem nível de escolaridade fundamental e com renda até dois salários mínimos, ou seja, somos País Pobre e país sem educação. Aliás, o ‘slogan-missão’ do Governo nos impele a pesquisar quais as características de uma nação rica. Constatamos que o Brasil está longe de ser uma nação rica, apesar de ser o país detentor da sétima maior renda do mundo.

Um país desenvolvido fundamentalmente é um país educado, e aqui definimos educação como o conjunto de dois indicadores básicos: Cidadania e Educação escolar. As pessoas podem ter alto nível de escolaridade e baixo nível de educação cidadã; e também encontramos pessoas com baixo nível de escolaridade e alto nível de educação cidadã.

Educação cidadã significa ser ético; ser respeitador do meio ambiente e da diversidade; ser cumpridor das leis; saber se comportar adequadamente em qualquer ambiente; saber cuidar de sua saúde; ter responsabilidade com suas finanças e compromissos. Esses valores são desenvolvidos e consolidados no ambiente familiar e na convivência com amigos. As crianças e os jovens ficam um tempo muito curto na escola para que os seus gestores e professores sejam responsabilizados por essa educação. Isso é papel fundamental da família.

O conceito de educação ainda incluiria um terceiro conjunto que é Global Education, ou seja, a capacidade do indivíduo de compreender o mundo, respeitá-lo e atuar para mudá-lo para melhor. Esse processo exige que o cidadão tenha nível avançado do idioma Inglês para aprender com fontes de informação de vários países; interagir com várias culturas e, dessa forma, poder elevar o seu nível de referência para melhorar a sua comunidade e nela atuar como um cidadão mais crítico e competente. Agregando-se esse valor à sua capacidade, o jovem certamente estará preparado para ser bem sucedido globalmente.

Os políticos se capitalizam dos pobres e sem-educação porque sabem que as referências desse povo são muito baixas, o investimento que precisa para satisfazê-los é muito menor do que a classe rica e educada exige. Oferecer uma escola com IDEB de avaliação 3(três) numa escala de 0-10, mas que ocupe o aluno durante um turno e preferencialmente o dia inteiro, com direito a uma merenda básica,,é bastante para que os pais avaliem a educação como muito boa.Mas, assim jamais teremos uma escola pública que integre as classes sociais como acontecia no passado.

Com esse modelo, o sistema de ensino não melhora, patina ano após ano nesse patamar, e jamais será competitivo com as nações desenvolvidas. Em evento na Universidade de Harvard em homenagem ao nosso saudoso educador Paulo Freire, o professor internacionalmente reconhecido, Noam Chomsky, afirmou que não há interesse dos líderes de nações subdesenvolvidas e corruptas em ter uma educação de qualidade.

Na competição internacional há o indicador PISA que avalia a educação básica de um país comparativamente com outros; e constata-se que o Brasil, em 2009, estava na 53a posição e em 2012 caiu para a 58a posição entre os 65 países avaliados. Esse resultado comprova que o nosso ensino básico está em decadência. Outros países estão sendo mais eficientes e competentes em melhorar o seu sistema educacional. Consequentemente, somos empurrados para baixo.

Dobrar a carga horária de uma escola ruim e/ou dobrar salário de professor ruim, é escalonar o baixo nível de qualidade. Investir em tablets ou qualquer tecnologia sem preparar adequadamente os professores, é jogar dinheiro no lixo. Para evoluir a qualidade do ensino básico, governos Federal e estaduais precisariam agir conjuntamente. Cabe ao governo Federal estruturar, detalhar e atualizar o currículo escolar, padronizando os conteúdos de cada série, criando recursos e planos de aula que apoiem o docente. É crucial estruturar e promover centros de treinamento e certificação de professores/gestores escolares, definindo-se um plano de carreira para o docente com remuneração e benefícios compatíveis aos existentes nas carreiras públicas da Justiça, por exemplo. Essa ação necessitaria de um sistema de avaliação de desempenho escolar para que o processo seja continuamente diagnosticado e melhorado, havendo um conjunto de indicadores de qualidade e produtividade, como ocorre em toda empresa competitiva.

A atualização do currículo escolar passa pela integração das competências do século 21 que têm como objetivo preparar o jovem para a vida profissional, tornando-o apto a trabalhar bem em qualquer lugar no mundo.Dobrar simplesmente o salário de professores ruins só onerará o orçamento público. Precisa-se criar o sistema de carreira valorizado como exposto, oficializá-lo, divulgá-lo para que os melhores alunos do ensino médio aspirem a carreira de professor, e aí começaremos a de fato fazer a educação do país evoluir.

Eduardo Carvalho
Diretor Geral da ABA Global Education

Educadores Globais
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