De tudo que comentam sobre Brasília, a seca dos meses de julho a setembro talvez seja o que se configura como o mais difícil de suportar. Das crianças aos idosos, moradores ou visitantes, todos reclamam da baixa umidade do ar, quando a vegetação se torna ressecada e cinzenta pela falta de chuvas. Mas nem tudo é tão cinza como pode parecer.

Felizmente, na mesma época da seca, como que para compensar o mal-estar da população, acontece um espetáculo mágico, radiante e multicolorido. Dos troncos tortuosos, retorcidos e ressecados de algumas árvores do cerrado acontece o florescer dos ipês. São árvores que nos encantam e alegram, pois conseguem espalhar cores vivas em cachos, em uma época do ano em que a cidade enfrenta o inverno.

"Tabebuia ochracea" é o nome científico dos ipês. Entretanto, não é isso que mais atrai os moradores. O deslumbramento da população vem pelas cores dos cachos que obedecem uma sequência para florescerem: primeiro, o rosa, em seguida o roxo, depois o amarelo (meu preferido), e, por último, o branco. Todas as cores podem ser vistas nos ipês dos parques, nas entrequadras, e mesmo nas praças, ruas e avenidas de todas as satélites.

Enquanto não florescem, os ipês se mostram apenas como uma árvore de casca grossa e áspera, à espera do espetáculo adormecido e multicor. Mesmo enfrentando limitação da umidade, ultrapassam as dificuldades da seca para iluminar e colorir a paisagem candanga. Inspiram e provocam analogias com situações difíceis, mas que, se enfrentadas, podem revelar frutos de imenso valor.

Os participantes da 22ª Conferência da iEARN, primeira no Brasil, virão de quase 70 países e serão saudados por esse contexto multicolorido dos Ipês. A alegria viva das cores fará parte da paisagem que os educadores e alunos verão como parte de nosso meio ambiente. Os ipês trarão inspiração no sentido de que mesmo em uma clima quente e seco pode haver brilho, alegria e delicadeza em Brasília e arredores.

A inspiração virá da profusão dos cachos coloridos que lembrarão o respeito às diferenças que o mundo tanto precisa nos dias de hoje. E a beleza, mesmo em clima de quase deserto, nos lembrará nosso papel como educadores. A certeza de que temos, sim, condições de fazer nossos alunos crescerem e florescerem, mesmo se não dispormos de todas as facilidades no ambiente de aprendizagem.

Que venha 2015 e a vontade de participar da 22ª Conferência iEARN em Brasília em um clima alegre, ensolarado e cheio de cores como as dos belos cachos dos Ipês. E fica nosso imenso desejo de acolher nossos visitantes com carinho e o frescor da sombra da árvore mais charmosa do centro-oeste brasileiro.

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