A Educadores Globais que, ao longo de sua existência, têm acolhido os alunos com necessidades especiais e contemplando-os com a participação em projetos colaborativos vê a necessidade de discorrer um pouco sobre a implantação da educação inclusiva no Distrito Federal (DF).

A Lei Distrital n. 3.218, datada de 5 de novembro de 2003, estabelece, no artigo 1º, o modelo de educação inclusiva em todas as escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal. Esta lei diz: “entende-se por Educação Inclusiva o atendimento a todas as crianças em escolas do ensino regular, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades; ressalvados os casos nos quais se demonstre que a educação nas classes comuns não pode satisfazer às necessidades educativas ou sociais da criança ou quando necessário para o bem-estar da criança.” (parágrafo 1º)

A implantação da política de educação inclusiva tem se mostrado um desafio para as escolas de ensino regular e de ordem específica da rede pública de ensino no DF. Nesses onze anos de sua publicação, a Lei n. 3.218/2003 apresentou e apresenta ainda a necessidade de mudança em toda a estrutura educacional, a fim de contemplar as diversas necessidades educativas especiais dos alunos.

Quando a política de educação inclusiva foi estabelecida, houve impacto muito grande nas escolas. Não tendo havido nenhum curso de capacitação para os professores de escolas inclusivas o choque foi muito grande. O primeiro contato com os estudantes de inclusão foi muito difícil, pois os professores não sabiam como agir, como se relacionar em mesmo
como se comunicar com esses novos integrantes da escola.

No decorrer do tempo, as abordagens experimentadas e o convívio com os alunos com necessidades especiais foram modificando o espaço físico da escola. O relacionamento entre professores, alunos e pais e as novas práticas dos professores ampliaram o saber da escola como um todo, tornando o trabalho um pouco mais fácil e muito enriquecedor.

De fato, estes esforços já apresentam resultados importantes para quem participa , seja de forma direta ou indireta. Um exemplo do fruto deste trabalho é aquele feito pelo CIL1 (Centro Interescolar de Línguas de Brasília), que com coragem, ousadia e perseverança dos professores da sala de recursos e do atendimento aos alunos surdos conseguiu concluir um projeto colaborativo internacional e levar dois alunos de inclusão à Conferência Internacional iEARN, no Catar, em julho de 2013.

Os professores ainda participam nos projetos colaborativos on-line, mantendo a motivação dos alunos com necessidades especiais em alta, e quem sabe, podem ainda levar outros alunos para a nova conferência que, neste ano, se realizará na Argentina.

A escola inclusiva ainda é muito desafiadora, mas traz profundas reflexões para os que se envolvem com ela e aprendem a agir e conviver com um público diferente, respeitando as singularidades nas suas limitações e enaltecendo as suas capacidades, trazendo mudanças de comportamento em todos. 

Sem dúvida, depois de onze anos, acreditamos que a escola pública inclusiva no DF leva o professor a buscar novas estratégias de ensino e inclusive faz os pais acreditarem na capacidade dos seus filhos terem um futuro mais promissor como pessoas, cidadãos e profissionais. A escola inclusiva é capaz de transformar a comunidade escolar, logo é capaz de nos aproximar de uma sociedade mais justa.

Texto por
Profa. MSc. Almerinda Garibaldi
Profa. MSc. Patricia Faustino

Referências Bibliográficas

  • Lei n. 3.218, de 5 de novembro de 2003, http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br;distrito.federal:distrital:lei:2003-11-05;3218, em 22/4/2014
  • BORGES, Andréa Macedo Rangel. Educação inclusiva no Distrito Federal: potencialidades e limites. 2008. 53 f. Monografia (Bacharelado em Serviço Social) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

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