As redes sociais têm ‘pipocado’ na web. Capitaneadas pelo Facebook, redes como: Twitter, Google+, Tumblr, Linkedin, Flickr, Ning, o valente Orkut e etc., tomam conta do tempo cada vez mais escasso e precioso do ser humano.

Se para um adulto normal, com suas responsabilidades e obrigações diárias, manter duas contas em redes sociais já é uma tarefa para os mais fortes, imagine o que acontece com nossos alunos do ensino fundamental e médio que possuem conta em todas as redes acima citadas e em algumas outras. Catástrofe!

Não se eu puder evitar (pelo menos com os meus alunos).

Os anos passam e as mudanças sociais se tornam inevitáveis. A internet e suas ferramentas estão consolidadas há algumas décadas e precisamos aceitar esse fato como homens e mulheres maduros – e não com chiliques e malcriações. Como professores finos, precisamos manter a compostura e relaxar. Não adianta excessos. Belloni (1999)[1] diz que generalização da informática na economia e no mercado de trabalho já é um caminho sem volta e que nas outras áreas como: lazer, cultura e EDUCAÇÃO, é uma questão de tempo.

E o tempo chegou. No site socialbakers.com podemos encontrar dados das principais redes sociais. E hoje, 05 de setembro de 2012, às 17h43 de uma quarta-feira parcialmente nublada em Vila Velha/ES, temos cadastrados no Facebook nada mais que 56.704.920 (lê-se milhões) de pessoas, um pouco mais de 28% da população nacional. É muita gente! Somos o segundo país mais representativo no mundo criado por Mark Zuckerberg, perdemos somente para a ‘Terra das Oportunidades’, The United States.

Poderia continuar fornecendo dados sobre outras redes sociais para mostrar como a fala de Belloni é uma realidade inexorável, mas seria chover no molhado. Prefiro me ater ao foco deste ensaio que é justamente canalizar parte desta contundente realidade comunicativo-interacional para potencializar a aprendizagem.

Como diria meu super-herói favorito, o inigualável Super SAM: - TIME IS MONEY!!!. E nossos alunos logram de um pouco mais de tempo que nós, adultos modernos. Entretanto, esse tempo poderia ser mais bem aproveitado, já que grande parte é gasto ‘improdutivamente’ nas redes sociais.

Pensando em como melhor aproveitar as potencialidades de uma rede social, procuramos uma metodologia de uso dessa ferramenta que atendesse os interesses dos alunos, da escola e, claro, dos professores.

A primeira questão era saber qual rede social seria ideal para o projeto. Pensamos que o facebook seria ideal, pois os alunos já possuíam contas e manuseavam as ferramentas da rede perfeitamente. Seria perfeito, caso um importantíssimo ponto não fosse levado em questão – O imaginário dos alunos. Como assim? Podem perguntar alguns.

O imaginário de uso do Facebook para fins de entretenimento e assuntos genéricos estava muito consolidado e enraizado na mente dos alunos, o que poderia atrapalhar no desenvolvimento do projeto. Buscamos, então, uma nova ferramenta que pudesse ser inserida no cotidiano dos alunos criando novos hábitos no modo e na finalidade de usar uma rede social.

Após debates, brigas, discussões e muitos e-mails, decidimos optar pelo Google+ por uma simples razão. Com uma única conta no Google é possível ter acesso a todos os serviços oferecidos: Gmail, Youtube, Google Disco e Google+ (nosso foco no projeto) e outros. O fato de que o Google+ é baseado nos círculos também facilitou o processo de criação da ‘nossa rede social’ onde todos estavam ou poderiam estar conectados com todos.

A tarefa foi dura. Criar uma conta para os alunos (180 ao todo) não é uma tarefa fácil, muitos deles não estavam habituados com o ambiente Google e algumas semanas foram necessárias para explicar as funcionalidades das ferramentas que estavam disponíveis. Estabelecemos algumas regras de uso das postagens para a manutenção do ambiente – não quero entrar nos méritos da naturalidade do processo, mas vamos lembrar que construir um novo hábito e um novo imaginário sobre algo requer tempo e trabalho.

Começamos do zero, era um ambiente novo para todos e esse espaço era dedicado para fins educativos. Tentamos implantar essa ideia nas crianças. Como parte do processo, motivamos os alunos a postarem e compartilharem coisas positivas e interessantes, todo assunto discutido em sala era levado à rede para ser comentado. Foi difícil no início, pois os alunos queriam postar as mesmas coisas que postavam no facebook. Algumas palestras sobre o uso da rede foram necessárias, algumas conversas ao pé do ouvido com alguns ‘pilantrinhas troladores’, mas aos poucos eles começaram a entender que aquele ambiente era diferente e o conteúdo que circulava era diferente.

Elaboramos algumas atividades que eram compartilhadas na rede como a criação de suas próprias tirinhas memes e revisões para as provas utilizando a ferramenta Hangout do Google+ que é uma maravilhosa. (você pode ver uma das revisões aqui.)

Aos poucos, através de muita motivação e adesão dos docentes, os alunos foram participando e percebendo o quanto são importantes para o processo de aprendizado em uma rede social. Afinal, o aprendizado em rede é colaborativo por natureza, se tenho um vídeo que me ajudou a entender uma matéria – como mostrado em uma das imagens abaixo – eu vou compartilhar com minha turma, essa é a essência.


Atividade: criação de memes

 


Atividade: criação de memes

 


Revisão: Hangout

 


Compartilhando conteúdo

 


Compartilhando conteúdo

 


Atividade: análise de tirinha

 

 

“MOTIVAÇÃO” é uma palavrinha muito importante para o sucesso de qualquer projeto como esse. Os professores precisam estar motivados para, assim, motivar os alunos que naturalmente produzirão os próprios caminhos para o conhecimento, e o melhor, de modo colaborativo.

Atualmente, estamos trabalhando em um projeto com os alunos do 9° ano do ensino fundamental que consiste em criar campanhas nas redes sociais (Twitter, Google+, Facebook e Blog) envolvendo os temas: Preconceito, Sustentabilidade, Qualidade de Vida e Drogas. Os grupos terão que criar contas nessas redes sociais e mantê-las ativas e alimentá-las buscando a maior audiência possível durante o bimestre.

Os grupos já desenvolveram os Blogs

Páginas do facebook

Contas no Twitter

O projeto da rede social foi iniciado em março deste ano e após seis meses de trabalho, podemos dizer que estamos no caminho para a consolidação de uma ‘Rede E-ducacional’.

Ser um professor do século XXI não é fácil, o desafio é grande e as dificuldades imensas, mas o retorno é fantástico. Você aceita o desafio? Eu aceitei...

 

José Carlos Vieira Júnior
@profjcjunior / Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.



[1]BELLONI, M. L. Educação à distância. 3ªed.Campinas, SP: Autores Associados, 1999.

Comentários  

+2 # Josileide 24-03-2013 12:18
Gostei muito da iniciativa desafiadora de criar um espaço virtual específico para a educação, afinal, ser professor é enfrentar desafios!
Só diria uma coisa que discordei desse ensaio: embora os jovens - e nós adultos também - gastem muito tempo nas redes sociais, como facebook e twiter, por exemplo, não atribuiria o termo improdutivo ao tempo gasto nessas redes, pois eles aprendem muita coisa. E mais, eles tem uma capacidade enorme de concentração em várias coisas ao mesmo tempo. Um exemplo disso é mostrado num filme francês, chamado "Entre os muros da escola". Às vezes, nós professores olhamos muito de cima pra baixo a forma de os alunos agirem. Mas nos esquecemos que quando éramos adolescentes, fazíamos coisas semelhantes.
Foi muito enriquecedor ter contato com esse ambiente.
Responder | Responder com citação | Citar
+1 # Leila Ribeiro 26-03-2013 02:27
Oi, Josileide! Também acho que eles, os jovens, são mais produtivos que imaginamos, mas devemos direciona-los mesmo, como a web é uma teia enooormel, muitas vezes não sabemos ou não vemos para onde trilhar. Também me pego falando que "no meu tempo tudo era melhor", tenho procurado ser mais sensível a essa geração sem julga-los ou compará-los. Mas se a gente também não tiver os "mais velhos" nos lembrando desse passado que foi bom, como faziam com a gente, pode ser que se perca certas histórias e vivências importantes para vida ;) E, sinceramente, no meu tempo nem era tão melhor assim kkkk Amo a vida digital =D
Responder | Responder com citação | Citar

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar