“A ineficácia do ensino das línguas no Brasil é devido à falta de precisão e de uniformidade nos objetivos, à insuficiência de preparo dos professores, à exiguidade de tempo nos horários, à ausência da homogeneidade nas classes, à inexistência de método no ensino” (SCHMIDT, 1935, p. 9).

É impressionante ler a citação feita por Schmidt sem pensar que ela esteja falando do ensino de línguas hoje, 79 anos após a publicação desse volume pioneiro. Claparéde (apud SCHMIDT, 1935, p. 8) afirma: “Em pedagogia devemos substituir as opiniões pelas certezas”, e, com o intuito de indicar as fontes dessas certezas, Schmidt apresentou o livro O Ensino Científico das Línguas Modernas, no ano de 1935.

O ensino de línguas no Brasil tem sido marcado por grande importância aos falantes nativos, muita improvisação por parte dos professores nacionais devido a uma formação inadequada; o que é possível perceber ao analisar os resultados da formação obtida nos cursos de Letras no Brasil.

Diversas escolas de línguas no Brasil contratam professores com apenas nível médio de formação. Basta ter conhecimento da língua que vai ensinar, adquirido em países falantes dessa língua ou mesmo em cursos no Brasil, e já está contratado, é mais um professor em exercício.

Assim, observa-se que a formação do professor tem ficado em segundo ou em nenhum plano. Há, no senso comum dos brasileiros, a ideia de que teoria não seja algo positivo, bom e útil. Em pesquisa desenvolvida entre estudantes é frequente a resposta: “Esta é somente uma teoria” ou “teorias podem ser mudadas com o tempo”.

Uma definição científica de teoria é que ela é uma síntese acerca de um vasto campo do conhecimento. A finalidade primordial da Ciência não é formular hipóteses; sua finalidade é sistematizar teorias. É imprescindível considerar que a sociedade brasileira não pode continuar pensando como adolescentes. É preciso valorizar a teoria, pois ela fundamenta a prática docente do professor de línguas.

Dentro dessa perspectiva, Almeida Filho (2004, p.11) afirma que:

[...] é necessário que o professor esteja em contato simultâneo com a ciência relevante produzida na área cerne, isto é, a da estrutura e funcionamento dos processos de ensino e aprendizagem de línguas. Esse contato se concretiza na leitura de livros e artigos científicos, na frequência a cursos formativos, na participação em eventos e palestras nos quais o professor tem a chance de dialogar com o pensar científico corrente da área.

Almeida Filho acrescenta (2004, p.11): “é justamente o diálogo iluminado por teorizações relevantes externas ao professor que intensificará ao máximo a prática reflexiva”.

Perin (2002, n.p.) corrobora a Almeida Filho, ao afirmar que:

[...] para se fazer um professor de línguas estrangeiras é necessário ter uma teoria (base de conhecimento profissional), fazer uma prática, conduzir uma pesquisa e, por último, desenvolver uma política de atuação.

Concluindo, é necessário considerar que ser professor de línguas é ter uma profissão desafiadora; e para exercê-la, é fundamental saber o que é língua, os processos de aquisição e aprendizagem e estar em constante aperfeiçoamento do ensino. Nesse sentido, para atuar com profissionalismo, o professor deve conhecer as teorias sim. As Teorias relevantes, no dizer de Almeida Filho “as teorias de cerne, Teorias com T maiúsculo” que embasam a prática de um professor de línguas comprometido com seu trabalho. Um professor profissional e competente.

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REFERÊNCIAS:

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes. O professor de língua(s) profissional, reflexivo e comunicacional. In: Horizontes de Linguística Aplicada. Ano 3, n. 1. Brasília: UnB, 2004.

PERIN. Jussara Olivo Rosa. DELTA vol. 18, n.1, São Paulo, 2002 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-44502002000100006>. Acesso em: 2 maio 2014.

SCHMIDT, Maria Junqueira. O ensino científico das línguas modernas. Rio de Janeiro: F. Briguet e Cia, 1935.

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