E

Efeito Retroativo

Dado um modelo de quatro materialidades distintas operadas por professores de línguas, todas orientadas por uma abordagem de ensino prevalecente numa dada situação, o efeito retroativo é a força influente para trás que uma dada materialidade e sua abordagem exercem sobre as anteriores alinhando-as por um sentido geral de força de convergência.

V. tb.: Operação Global de Ensino de Língua(s), Abordagem, Abordagem Comunicativa, Abordagem Gramatical, Aprendizagem de Língua, Aquisição de Línguas, Materialidade da Aprendizagem.

ELFE

Sigla para Ensino de Línguas para Fins Específicosutilizada como sinônimo de Ensino Instrumental de Línguas.

Emancipação

Processo de tornar-se consciente e capaz de agir por conta própria no processo de aprendizagem de línguas.

V.tb.: Dependência.

Empatia

Capacidade de perceber, compreender e até se solidarizar com o Outro, capacidade essa que facilita a comunicação e o desenvolvimento da competência comunicativa entre outras coisas.

V. tb.: Filtro Afetivo, Ansiedade, Choque Cultural.

Empoderamento

Ação coletiva ou individual desenvolvida para que indivíduos participem com mais confiança e autodeterminação nos espaços privilegiados de decisões, e desenvolvam consciência de direitos sociais.

V. tb.: Cultura, Interculturação, Emancipação, Protagonismo.

Enfoque Lexical

Ênfase na palavra, no lexema, quando se está ensinando língua(s). Ênfase não corresponde à abordagem, a uma questão de natureza dos processos de ensinar e de aprender línguas. O enfoque no léxico se deve ao interesse aguçado pelos estudos etimológicos e semióticos de mentores, autores ou praticantes com esse viés e podem estar filosoficamente alinhados tanto com uma abordagem gramatical quanto com outra comunicacional.

V. tb.: Abordagem, Abordagem Comunicacional, Abordagem Gramatical, Operação Global de Ensino de Língua(s).

Ensinante

Aquele que ensina; o professor ou a professora.

V.tb.: Professor(a) de Língua.

Ensinar Naturalizado

Modo de ensinar rotinizado a ponto de parecer o único recurso naturalmente possível à situação; ensino tradicionalizado de um professor ou professora revelador de ausência de reflexão formadora (avaliadora).

V. tb.: Reflexão, Senso de Plausibilidade.

Ensino Comunicativo de Línguas

Ação de apoio à aquisição e aprendizagem de línguas no qual o princípio organizador mais importante é a interação comunicativa que se produz em ambientes de produção de sentidos e não primordialmente da forma gramatical.

V.tb.: Abordagem Comunicativa

Ensino de Línguas (Segundas e Estrangeiras)

Área de atuação profissional (prática) no ensino formal e sistemático de idiomas e disciplina acadêmica voltada para a construção de teoria relevante para fundamentar práticas e formar novas gerações de professores.

V.tb.: Linguística Aplicada, Grande área da Linguagem.

Ensino de Línguas para Fins Específicos (ELFE)

Tipo de planejamento de curso de língua de base comunicacional que atende a situações nas quais os aprendentes possuem necessidades específicas e alguma limitação de condições como tempo, principalmente.

V. tb.: Ensino de línguas para fins gerais, Ensino Instrumental de Línguas, Ensino Comunicativo de Línguas, Planejamento de Cursos de Línguas, Levantamento da demanda dos aprendizes.

Ensino de Línguas para Fins Gerais

Tipo de planejamento genérico no qual não ocorrem limitações nem se observam necessidades particularmente definíveis.

V.tb.: Ensino de Línguas para Fins Específicos, Planejamento de cursos.

Ensino Instrumental de Línguas

Designação popularizada no Brasil para indicar cursos de língua sob algum tipo de limitação de condições, geralmente tempo disponível para aprender, dirigidos ao público de aprendizes cujas necessidades específicas podem ser bem definidas. Ensino alinhado com a abordagem comunicativa, esses cursos não podem mais ser vistos como o ensino de estratégias de leitura predominantemente em Português (L1 dos alunos) e sua prática não subscreve a segmentação da língua em habilidades. O mesmo que Ensino de Línguas para Fins Específicos.

V. tb.: Abordagem, Aquisição de Língua, Concepção de Aprendizagem, Crenças Momentâneas‎, Crenças Duradouras, Cultura de Aprender, Cultura de Ensinar.

Envolvimento do Aluno

Enlaçamento do aluno-aprendiz de língua em atividade produtiva e sustentada de linguagem (insumo) com chances maiores de aquisição da nova língua. O envolvimento propicia também construir entre os participantes desejosos de adquirir um novo idioma relações afetivas positivas que baixam a ansiedade ao tornar o ambiente propício para aquisição.

V. tb.: Aquisição de Língua, Filtro Afetivo, Insumo.

Equação de Abordagem

No ensino de línguas é o resultado da tensão de abordagens numa dada situação de ensino revelado no predomínio de uma destas abordagens de agentes ou combinação possível entre elas. Várias combinações são possíveis entre as abordagens dos diferentes agentes, a saber, professor, alunos e terceiros, que exercem força de acordo com suas concepções sobre língua, ensinar e aprender um idioma, gerando uma determinada equação de abordagem. Desta forma, podem-se obter diferentes equações de abordagem dependendo de qual agente ou quais agentes tenham mais força numa situação específica de ensino de línguas.

V. tb.: Agência, Abordagem Adotada/Escolhida, Abordagem Desejada.

Erro

Todo desvio da norma não aceitável; na perspectiva behaviorista é a forma incongruente com o padrão da língua resultante da interferência da língua materna (L1) sobre a Língua Segunda (L2) e considerado um hábito malformado. No processo de aquisição mediado por ensino formal estruturalista audiolingual, o erro assume caráter negativo devendo ser debelado por meio de prática corretiva imediata. Contemporaneamente, o erro pode ser um desvio temporário da interlíngua em movimento merecendo ser tratado fora do contexto no qual a língua-alvo se encontra em uso comunicativo.

V. tb.: Interlíngua, Método Audiolingual, Estruturalismo.

Estereótipo Cultural

Deformação da percepção do falante pertencente a uma língua-cultura quanto a aspectos da cultura e da língua do outro. Subcategoria das distorções da percepção sociocultural formada por atitudes negativas do indivíduo com relação à cultura da língua-alvo (geralmente estrangeirizada) por pressupor nela um valor exótico ou execrável (que a torna distante) causando uma consequente não-identificação com a mesma de forma a atrapalhar a aquisição. As diferenças emergentes do contato entre as duas culturas são reduzidas a percepções exageradas, fazendo com que traços diferentes sejam percebidos como estranhos ou indesejáveis provocando rejeição ou frieza com relação ao outro e sua língua.

V. tb.: Distorção da Percepção Sociocultural.

Estilo Cognitivo

Modo particular e preferencial de captar, perceber, construir e buscar o insumo durante o processo de aquisição ou aprendizagem.

V. tb.: Estilo de aprendizagem, Estratégia de aprendizagem.

Estilo de Aprendizagem

O mesmo que Estilo Cognitivo.

Estilo de Ensino

Modo particular e preferencial de conduzir o processo de ensinar línguas.

V.tb.: Estilos de aprendizagem, Cultura de Ensinar.

Estilo Democrático

Forma distintiva de conduzir o ensino e de gerir o processo de ensino de línguas desenvolvida por professores que atenua características indesejadas do desnível categórico de poder entre professores e aprendizes estimulando formas participativas de deliberação sobre atividades, justificativas para se realizarem atividades, liberdade de escolha de tópicos e temas, desenvolvimento de um estilo mais conversacional ou interativo no processo de ensinar ou de conduzir aulas, formas de auto-avaliação, oportunidades reflexivas conjuntas entre professores e seus alunos, entre outras.

V. tb.: Cultura de Ensinar, Reflexão, Reflexividade, Práxis.

Estrangeirização

Manifestação de alheamento ocorrido no processo de aquisição de uma nova língua por obra da acentuação (muitas vezes inconscientemente) de fatores que contribuem para efetivar a percepção de estrangeiridade que uma nova língua pode potencialmente assumir. A estrangeirização acontece, por exemplo, quando a língua é ensinada como um idioma colocado para estudo e não como comunicação de fato entre participantes do processo. Um exemplo de estrangeirização é a relação formal (DISTANTE) que o foco prioritário na gramática estabelece como elemento organizador de todo o ensino e aprendizagem. Quando estrangeirizada, a nova língua permanece como língua de outros, de gente diferente de nós, de língua com um sistema único e diferente a ser estudado e a circulação dela como língua de significação fica prejudicada. A aquisição, então, não se instala ao máximo do seu potencial dando lugar à aprendizagem consciente e monitorada de aspectos pontuais da língua estrangeira.

V. tb.: Desestrangeirização, Aculturação, Ansiedade, Aquisição de Língua, Afetividade, Distorção da Percepção Sociocultural.

Estranhamento

Desconforto por parte do professor ou aluno quando se depara com sua própria imagem a partir da análise da abordagem e/ou de competências. Este estranhamento pode ser capaz de retirar o professor do seu presente contínuo ou presente perfeito de ensinar, da sua naturalizada acomodação de fazer como sempre fez.

V. tb.: Reflexão, Análise de Abordagem, Análise de Competência.

Estratégia

Estratagema ou modo preferencial de agir empregado consciente ou subconscientemente pelo aprendente de uma nova língua com o intuito de aprendê-la ou adquiri-la; atividade linguística prevista pelo professor de língua destinada a desenvolver a interlíngua do aluno.

V. tb.: Motivação, Aprendizagem de Língua, Aquisição de Língua.

Estratégia de Aprendizagem

Modo preferencial de agir de um aprendiz, de maneira consciente ou subconsciente, buscando aprender ou adquirir uma língua.

V. tb.: Estilo de Aprendizagem, Autonomia do aprendente.

Estratégia de Ensino

Modo preferencial deliberado de ensinar de um(a)professor(a) de língua destinado a desenvolver a interlíngua do aluno.

V. tb.: Método de ensino, Atividade, Estilo de ensino.

Estratégia Metacognitiva

Modo deliberado de ganhar acesso à competência comunicativa numa língua através da consciência desse modo e da sua aplicabilidade.

V.tb.: Estratégia de Aprendizagem.

Estruturalismo

Grande movimento científico nas humanidades ancorado no pressuposto de que fenômenos complexos se organizam por partes para constituir um todo estruturável. No ensino de línguas é o movimento de sustentação paradigmática (uma grande abordagem gramatical) que absorve a longa tradição clássica de ensino da gramática e da tradução para o aprendizado de língua(s). Postulando a centralidade e a anterioridade do sistema lingüístico, o sistema da língua-alvo é trabalhado cumulativamente por partes previamente descritas e contextualizadas na frase, no pequeno diálogo demonstrador, no texto curto exemplificador e nas situações controladas e semicontroladas de uso (linguagem na agência de correio, na mesa do café da manhã etc.). Nos anos 70 associou-se ao condutivismo ou corrente psicológica behaviorista assentada na aprendizagem de partes ou padrões que se super-ensinam nas demonstrações repetíveis e nas substituições mecanizáveis para compor o grande método audiolingual. Hoje, o estruturalismo audiolingualista se comunicativizou para sobreviver fazendo uso de materiais autênticos, trabalho aos pares e pequenos grupos e de desempenho controlado de papéis.

V. tb.: Abordagem, Abordagem Comunicacional, Abordagem Gramatical, Método Audiolingual.

Estudo Longitudinal

Pesquisa de longo prazo focalizando a observação contínua de um mesmo objeto, participante ou evento. Em muitos casos a observação prolongada reforça as chances de se observar mais integralmente um fenômeno que esteja sendo estudado com possibilidades de se flagrar evoluções importantes do objeto de pesquisa.

V. tb.: Estudo Transversal, Dados, Registro Cognitivo (noticing), Pesquisa em ASL.

Estudo Transversal

Pesquisa de corte ou de amostra representativa que envolve a observação de uma dada amostra para se investigar como e porquê se aprende, como se adquire uma segunda língua, como se dá o processo de formação de agentes num determinado espaço ou tempo. Tal tipo de estudo objetivamente produz dados referentes a um caso ou população para indicar os riscos ou prevalência de riscos para apoiar ou não uma dada teorização.

 V. tb.: Estudo Longitudinal, Dados, Registro Cognitivo (noticing), Pesquisa em ASL.

Exercício

Categoria de atividade curta conduzida em classe pela professora como prática de língua nas salas, mas também nas extensões pelos aprendentes sozinhos, com foco na forma da língua e no vocabulário mediante emprego de regras em transformações, preenchimento de lacunas, imitação de modelos e automatização por repetições.

V. tb.: Atividade, Aprendizagem de Língua, Correção de Erros, Precisão.

Exercício de Preenchimento de Lacunas

Categoria de atividade voltada à aprendizagem consciente e controlada de uma língua na sua modalidade escrita pela qual se apresenta uma frase com lacuna a ser preenchida com itens distintos escolhidos a partir de uma lista ou buscados pelo aprendiz no seu próprio repertório.

V.tb.: Exercício, Aprendizagem, Percepção Consciente, Atenta da Forma.

Exercício de Repetição com Substituições

Atividade para aprendizagem da forma da língua (sintaxe, léxico, fonologia, regras culturais) que consiste na proposição de um arcabouço estrutural fixo (contexto limitado) com lacuna na qual se inserem itens listados ou lidos oralmente pelo professor para repetição oral ou escrita de frases completas.

V.tb.: Exercício, Atividades.
 

Exercício de Transformação

Atividade propícia à aprendizagem consciente da forma de uma língua que consiste em receber uma estrutura ou frase a ser modificada de modo previsível pela indicação de uma chave como “passe para o negativo”, “dê a forma correspondente do gênero masculino”.

V.tb.: Exercício, Percepção Consciente, Atenta da Forma.

Expansão de Repertório de L1

Modo de descrever o propósito de se “ensinar” a L1 que o aluno já traz instalada e funcional ao chegar à escola e durante o período escolar.

V.tb.: Ensino de L1

Experiência Prévia

Vivência do processo de aprendizagem ou aquisição de uma nova língua, anterior ao momento presente, que se toma como fator influenciador da qualidade de aquisição ou aprendizagem atingida. O aprendente bilíngue ou plurilíngue, por já ter experiência no processo de aquisição de outras línguas, tende a ter mais facilidade em criar estratégias e autonomia para a aquisição da nova língua. A tendência desse aprendente é de ser academicamente mais consciente, gerenciando melhor seu próprio processo de aquisição.

V. tb.: Crenças, Diferenças Individuais.

Explicação

Modalidade de facilitação da aprendizagem de uma língua (primeira, segunda ou estrangeira) que consiste na verbalização de conhecimento declarativo de regras ou tendências do sistema formal de uma língua.

V.tb.: Comunicação, Rotinização.

Explicitação

No ensino de línguas, o exercício de explicar regras e sentidos do texto, de tornar conhecido o funcionamento de partes e estruturas do idioma que está sendo ensinado.

V.tb.: Implicitação, Explicação.

Exposição a uma Nova Língua

Contato com a língua-alvo em uso que o aprendente visa adquirir.  Variável de acordo com o tempo de exposição ou com o tipo de insumo que se apresenta, a exposição a uma nova língua pode representar importante fonte de insumo (compreensível ou não) ao aprendente ou adquirente. Alguns tipos de exposição são a formal, que se dá no contexto de sala de aula, e a naturalista, que ocorre quando o aprendente está inserido num contexto natural de ocorrência da língua-alvo. O termo exposição guarda a limitação que a metáfora impõe: o adquirente ou aprendiz só se expõe num sentido muito genérico. De fato, uma exposição comumente não se restringe ao expor-se, mas implica bem mais a interação rica de insumo de boa qualidade com usuários competentes na nova língua.

V. tb.: Imersão, Interação, Insumo, Insumo+1, Aprendente, Cultura,Estrangeirização, Desestrangeirização.

Extensões da Sala de Aula

Atividades do método para aquisição ou aprendizagem de uma língua originadas na sala de aula ou criadas com independência pelo aprendente para serem vividas depois das aulas ou entre elas.

V. tb.: Insumo, Uso da Língua-Alvo, Método, Envolvimento do Aluno.