Que Viagem, Véi! – Processo de Imersão Criativa

By 22 de fevereiro de 2019Cobertura de Eventos

E se criatividade pudesse ser praticada no olhar do dia a dia? spoiler: pode e deve ser! E foi assim que nasceu a ideia do Que Viagem, Véi!, uma jornada imersiva na criatividade para desenvolver aquele ser criativo que a gente insiste em dizer que não é. Foi um mês inteiro com atividades curiosas e interativas no processo de criatividade cotidiana. Como diz o nome: é uma viagem, uma piração louca!

O Que Viagem, Véi! já nasceu criativo! Juntamos as ideias nada convencionais da @salaoficial, do @copilotobsb e do @nouscc, criamos uma jornada de processos criativos aprendidos pela vivência, experiência, imersão na vida real. O ponto principal era juntar as mais diferentes pessoas nesse processo pq entendemos que pessoa é criativa. Foram 4 módulos, durante um mês de curso, que construíram o caminho dos participantes. Rola p/ o lado para ver como a jornada foi lindamente estruturada.

Uma das etapas do Que Viagem, Véi! trazia histórias de inspiração de pessoas comuns, gente como a gente, sabe, mas devido ao uso de seus processos criativos nas suas ações diárias, essas pessoas acabaram sendo reconhecidas justamente por tornar o seu modo de viver em algo único, tanto pessoal quanto profissional. Rolou uma roda de conversa linda com 4 criativos da cidade: o Matheus Fernandes @blogdomath, a Larissa Sampaio @larissacsampaio, o Toninho Euzébio @teuzebio e a Beatriz Chaves @beatrizchaaves. Uma noite de pura inspiração criativa!

Que Viagem, Véi! conseguiu juntar a galera mais incrível que você possa imaginar: jornalistas, fotógrafos, arquitetos, mães, servidores públicos, da iniciativa privada, da caminhada solo, estudantes, gente que estava procurando um lugar no mundo e gente que estava tentando entender o mundo no lugar que está. Todos e todas ali presentes queriam algo em comum: despertar seu caminho criativo!

A energia da galera que participou do Que Viagem, Véi! foi tão absurdamente incrível, que todos contavam os dias da semana para o próximo encontro. Era tanta risada boa de piada ruim rs, ao mesmo tempo que rolavam reflexões profundas das angustias diárias de querer ser criativo no mundo que só quer “resultado e eficiência”. Era lindo de se ver tanta sinergia e sincronicidade de ideias com tantas pessoas diferente juntas.

O processo de imersão na cidade aconteceu logo no primeiro encontro. Ninguém se conhecia, a maioria nunca tinha ido à periferia de Brasília e ninguém sabia muito bem o que era preciso fazer porque não havia uma obrigação de “executar algo”. O processo estava centrado na conexão: com a criatividade da perifa, com a criatividade do outro e com a própria criatividade. Tudo sendo explorado ao mesmo tempo, sem instrução do “faz isso”, tudo direto na experiência e experimentação. Passamos dias e dias refletindo e compreendendo o impacto da imersão que foi poderosa e transformadora.

A reflexão da imersão que fizemos na periferia foi tomando forma com as oficinas incríveis que rolaram na jornada do Que Viagem, Véi! Primeiro rolou um processo de percepção de significado do que era possível fazer com os insights individuais da imersão, depois uma construção criativa e coletiva com o que tinha sido registrado. Em outro momento, tivemos oficina de desenvolvimento de habilidades para tornar as criações do grupo em uma intervenção urbana e, olha, só teve parceirxs maravilhoses! Tivemos o @coletivotransverso dando show sobre criação de poemas com a arte das palavras em lambes, aprendemos com @pardeideias que manualidades deixa tudo com um 3D analógico incrível e tivemos o nosso Guru @gurulino ensinando como deixar a cidade mais colorida com graffiti. Rola para o lado para ver a mágica acontecendo.

Dedico esse post inteirinho ao amor da minha vida, minha perifa querida: Ceilândia <3 Sem ela não teríamos uma imersão tão transformadora na jornada do Que Viagem, Véi! Ceilândia é lugar de gente que respira, vive e inspira criatividade e inovação. Lugar de gente acolhedora e divertida porque corre um sangue nordestino nas veias da cidade e na feira central. Gente que fez desse lugar mais que uma cidade, fez potência. Uma cidade generosa que compartilhou conosco seus conhecimentos. Tivemos um anfitrião que abriu as portas da cidade, o @maxmaciel e nos levou para um coletivo incrível chamado @jovemdeexpressao e que de lá saíram outras iniciativas como o grupo de empreendedores da cultura periférica @r.a_ix, o @coletivoduca de produção cultural e de jornalismo ativista e o Movimento Underground de Brasília @mubprodutora, que produz e promove a cultura underground. Que aula de criatividade e inovação que tivemos! Já quero voltar para esse dia *_*

O resultado dessa jornada incrível de criatividade foi uma intervenção de arte urbana na parede do @copilotobsb Ali se materializou narrativas, experiências, aprendizados e um trabalho lindo de sense making de um grupo que se desafiou por um mês a exercitar sua criatividade individual e coletiva. É um trabalho sensível e que juntou dois mundos diversos – centro e periferia – para mostrar que se ganha mais na troca que na distância. Para firmar ainda mais esses dois mundos, foi realizada a @feirapapel, encontro de autores locais para expor seus processos de criação, fomentando a cultura criativa da cidade e, claro, que cidade aqui era entendida com toda: centro e periferia. Rolou fotógrafo, quadrinistas, ilustradores, flashday de tattoos, artesãos, escritores, enfim, um final de jornada emocionante! O painel continua lá na parede. É público e está lá para quem quiser apreciar na 306 da asa sul em Brasília 😉

“A periferia é o centro” era o mantra que eu repetia todas as vezes que esse assunto rolava nas nossas rodas de conversas na jornada. Há um conhecimento comum que leva as pessoas a acreditarem que periferias e favelas vivem de incapacidade e pedindo por um herói. O Que Viagem, Véi! trouxe a desmistificação desse senso comum que não condiz com a realidade, fizemos isso trazendo a voz da perifa! Com essa troca de lugar, os participantes entenderam que eles APRENDEM com a periferia e não o inverso. As periferias são mundos de potências, de realizadores, de transformação da escassez em abundância! Ceilândia foi o palco dessa primeira jornada, foi só a primeira parada desse caminho p/ mostrar na prática que a periferia é, sim, o centro!

Uma curiosidade do Que Viagem, Véi: a imagem que você pode ver na foto toda (entra no perfil da @salaoficial para ver o painel inteiro) é do monumento símbolo de Ceilândia: a caixa d’água. O símbolo da cidade agora é patrimônio tombado pelo governo do Distrito Federal. A caixa d’água é um símbolo de luta dos cidadãos da Ceilândia pq ao serem “”””transferidos”””” (expulsos!) do centro da cidade, na época da construção de Brasília, não havia água para a população, era preciso buscar muito muito muito longe e somente depois de 3 anos, uma caixa d’água foi instalada em um lugar que era considerado central na cidade. Há também quem diga que é uma nave extraterrestre que pousou ali, mas ainda não há fontes confiáveis sobre o fato rs

Outra curiosidade do Que Viagem, Véi: o céu de Brasília. Sim, é o mais lindo do mundo, eu disse M-U-N-D-O! Quem concorda, respira